O mês de setembro marca o recomeço de várias atividades, recorda o bispo de Beja. «Temos todos de arregaçar as mangas», adverte antónio Vitalino, que faz um balanço de alguns acontecimentos que marcaram o mês de agosto
O mês de setembro marca o recomeço de várias atividades, recorda o bispo de Beja. «Temos todos de arregaçar as mangas», adverte antónio Vitalino, que faz um balanço de alguns acontecimentos que marcaram o mês de agostoNa sua mais recente nota pastoral, antónio Vitalino, bispo de Beja, faz uma análise aos acontecimentos do passado mês de agosto. Os políticos e comentadores deram-nos algum descanso mental e as televisões andaram de terra em terra, em múltiplos festivais e concursos, dando quase a impressão que a crise e os problemas tinham chegado ao fim, refere o prelado, deixando o aviso: isso foi só aparência.
Na verdade, a confusão e o descalabro do nosso sistema económico e financeiro continuam a surpreender políticos e analistas, como se verificou com o recente colapso do grupo Espírito Santo, que levou à criação de um novo banco, apelidado de bom, à custa de uma injeção enorme de dinheiros emprestados, e de um banco mau, que ficou com os créditos mal parados e os negócios fraudulentos e obscuros, continua antónio Vitalino.
O bispo de Beja considera que nem os mais entendidos sabem onde tudo isto vai parar, e acrescenta: Oxalá os políticos de boa fé não tentem tapar a mente dos portugueses à caça dos votos nas próximas eleições. Depois de recordar a fuga de capitais e a impunidade aparente dos envolvidos nas trapalhadas económicas e financeiras, antónio Vitalino afirma que ainda há quem parece não ser afetado pela crise e alude ao caso do desporto.
O futebol continua a investir ou gastar milhões em negócios de jogadores e os dérbis enchem as bancadas dos grandes estádios. Outrora como hoje, o futebol parece fazer esquecer os reais problemas do país e das famílias, refere. No mesmo documento, o bispo de Beja aborda ainda as festas de verão e os migrantes. No mês de agosto as nossas aldeias encheram-se de festa e de pessoas de todas as idades, enquanto nos restantes meses do ano ficam quase desertas, sem a alegria das crianças e dos jovens, pois muitos casais novos e jovens emigraram para países com economias mais florescentes e carentes de mão de obra, destaca.
Setembro é, segundo antónio Vitalino, o mês que marca o recomeço das atividades em diversos âmbitos. No mês de setembro tudo tem de recomeçar, para não hipotecar o futuro do país e das instituições, salienta. Temos todos de arregaçar as mangas, descata o bispo de Beja na sua nota pastoral, intitulada Recomeço sem desvarios, divulgada esta semana.