Dois novos relatórios revelam abusos contra os direitos humanos na cidade de andijan, sul do Uzbequistão, enquanto decorre o julgamento de 15 homens acusados da revolta de Maio.
Dois novos relatórios revelam abusos contra os direitos humanos na cidade de andijan, sul do Uzbequistão, enquanto decorre o julgamento de 15 homens acusados da revolta de Maio. O governo continua a ocultar a verdade do que aconteceu em andijan, disse de Londres Maisy Weicherdi, investigadora da amnistia Internacional (aI), pedindo que a verdade seja ouvida. Tem que haver justiça para todas as vítimas.
Fora do tribunal não podiam ser vistos parentes ou apoiantes dos 15 acusados, mas os parentes do pessoal do governo e das forças de segurança que perderam a vida estavam presentes, pressionando para a pena de morte.
O procurador público, anvar Nabiyev, disse que grupos e organizações ocidentais, assim como os meios de comunicação estrangeiros lançaram uma guerra de informação contra o governo do Uzbequistão, acusando-o de ser parcial e de ter planeado os acontecimentos de andijan, junto com militantes de grupos islâmicos.
Mais de mil civis podem ter perdido a vida em andijan a 13 de Maio. Segundo os grupos dos direitos humanos, as autoridades abriram fogo contra os manifestantes, que protestavam contra o regime do Presidente Islam Karimov, que governa o país desde 1991.
a aI publicou o relatório Uzbequistão – levantando o véu da verdade sobre andijan. Neste são documentadas uma série de instâncias em que os direitos humanos foram violados a 12 e 13 de Maio.
De acordo com testemunhas oculares afirmam que as forças de segurança dispararam indiscriminadamente sobre os manifestantes, por seu lado o governo afirma que nos mortos não foram causados pelas forças de segurança, mas pelos terroristas armados. Milhares de pessoas foram detidas arbitrariamente, houve abusos sobre testemunhas e documentos foram destruídos para ocultar a verdade.
Está tudo bem documentado. Falámos com um grande número de testemunhas, disse Weicherdi, citando exemplos nos quais as autoridades pediram aos parentes para entregar os documentos das vítimas e desaparecidos. Vai ser muito difícil provar que uma pessoa morreu ou desapareceu quando não se pode comprovar que existiu, disse a activista.
as organizações internacionais, jornalistas e defensores dos direitos humanos não têm tido acesso à cidade. Por seu lado, sites que davam diferentes versões dos acontecimentos foram bloqueados, diz a aI.
Os 15 homens enfrentam várias acusações, incluindo terrorismo, morte de reféns e ser membros de grupos islâmicos proibidos, informou a BBC.
Entretanto, num relatório independente, mas semelhante, publicado no dia anterior, 20 de Setembro, o Observatório dos Direitos Humanos (HRW) acusou as autoridades do Uzbequistão de obrigar, através de ameaças e actos violentos, as pessoas a confessar crimes que não tinham cometido.

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