Os Índios da Raposa Serra do Sol, Roraima, celebram durante duas semanas, a partir de hoje, três décadas de luta pelo reconhecimento do direito à terra que habitam.
Os Índios da Raposa Serra do Sol, Roraima, celebram durante duas semanas, a partir de hoje, três décadas de luta pelo reconhecimento do direito à terra que habitam. Invadida por garimpeiros e fazendeiros, a terra dos índios foi reconquistada com uma luta pacífica e persistente de mais de 30 anos. Mais do que isso, os índios celebram a homologação da terra, isto é, o reconhecimento do direito de posse por decreto do presidente brasileiro Lula da Silva, de 25 de abril passado, apesar da oposição de políticos e interesses económicos.
O próprio governador do estado de Roraima decretara oito dias de luto aquando da homologação. a contestação à decisão presidencial tem-se mantido e culminou com a invasão e destruição da missão de Surumu a 17 de Setembro.
Trata-se de uma campanha bem orquestrada que conta com o apoio dos meios de comunicação social da Boa Vista. ainda ontem, 19 de Setembro, um pseudo-jornalista, claramente ao serviço dos interesses económicos locais, tentava deitar poeira nos olhos, insinuando que teria sido a Igreja (a ordem da Consolata) a destruir e queimar a missão de Surumu.
Para tal recorria a uma analogia comum a um facto histórico e criminoso: adolfo Hitler mandando queimar o parlamento alemão, atribuindo tal facto ao partido comunista, promovendo intensa campanha na imprensa para justificar a a perseguição que faria aos comunistas, como de facto fez e, com isso, consolidando a ditadura nazista.
a sanha jornalística insurgia-se contra a presença do ministro da justiça, Márcio Tomás Bastos, na celebração da homologação.com algum sarcasmo desejou ao ministro que a dengue e a malária lhe seja leve!
Hoje começam as celebrações da homologação, mas dizia bem um missionário: a festa da homologação só deveria ser feita quando o último cultivador de arroz deixar a área indígena agora demarcada. Ou ele se engana muito, ou ainda vai correr muita tinta – e que não passe disso! – sobre o caso da Raposa Serra do Sol.
Foto: carro do professor Júlio, queimado pelos assaltantes à missão de Surumu
De Boa Vista, Roraima

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