O Relatório Estatí­stico 2014 ” Emigração Portuguesa, do Observatório da Emigração, aponta para a saída de 110 mil portugueses no ano passado. Um número agravado devido a um desemprego elevado que tarda em recuperar
O Relatório Estatí­stico 2014 ” Emigração Portuguesa, do Observatório da Emigração, aponta para a saída de 110 mil portugueses no ano passado. Um número agravado devido a um desemprego elevado que tarda em recuperar

Os emigrantes que saíram de Portugal em 2013 ultrapassaram a fasquia dos cem mil, algo que já não acontecia desde 1966, data em que atingiu os 120 mil. São números deveras preocupantes, que devem fazer pensar os responsáveis.

Dos países que acolhem os portugueses continuam a destacar-se a França, onde os registos consulares indicam a inscrição de mais de 1,2 milhões de portugueses. Os dados, embora com fiabilidade baixa indicam uma média de oito mil portugueses que chegam todo os anos. a Suíça registou um número recorde de 13. 000 chegadas de emigrantes portugueses em 2013, segundo dados da Secretaria de Estado da Economia suíça (SECO) que constam de um relatório divulgado em Berna recentemente.

É de referir que entre 2002 e 2013, cerca de 40. 700 pessoas emigraram por ano para Suíça e só no ano passado entraram 66. 200 imigrantes oriundos da zona UE/aELE, ultrapassando o recorde de 61. 200 imigrantes em 2008.

Em relação a outros países que mais atraem os emigrantes lusos a alemanha está na primeira linha, juntamente com o Reino Unido. Estes países são referidos pelo Observatório da Emigração (OE) com tendo recebido uma acentuada emigração.

São os novos países de emigração portuguesa em época de crise. Os valores do Reino Unido são superiores ao do país de angela Merkel, que lidera a tabela com a receção de 30. 121 portugueses em 2013.comparando com os dados de 2007,os mais 11. 401 emigrantes contados na alemanha refletem um forte aumento, segundo dados do OE.

O relatório divulgado esta sexta-feira, com elementos mais completos sobre 2013, permite confirmar a quebra abrupta de emigrantes para Espanha. Situa-se na ordem dos 5. 302, quando em 2007, estava nas 27. 178 pessoas.

O trabalho do OE refere também que em 2013 receberam apoio do Estado português 947 idosos, através do apoio social a idosos carenciados das comunidades portuguesas, num valor global de mais de 2,2 milhões de euros. De notar que a maioria (637) residia no Brasil. Os restantes eram de angola, argentina, Colômbia, Cabo Verde, Marrocos, Macau, Moçambique, Namíbia, Uruguai, República Democrática do Congo, Venezuela, África do Sul, Zimbabué, Índia e Suazilândia.

O apoio social a idosos carenciados das comunidades portuguesas (aSIC-CP) destina-se aos portugueses com idade igual ou superior a 65 anos, com residência legal e efetiva no estrangeiro, em situação de comprovada carência económico-social não superável pelosmecanismos existentes nos países de acolhimento e sem familiares em condições de lhes prestar apoio, lê-se no referido relatório elaborado pelo OE.

Verifica-se assim que o número de emigrantes portugueses triplicou desde 2009. Ou seja, quatro em dez portugueses saíram do país de forma permanente em 2013. Somando o número de emigrantes permanentes aos temporários, conclui-se que em 2013 eram 128 mil os portugueses emigrados, de acordo com os dados divulgados ainda recentemente pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Este número fica acima do que tinha sido registado nos anos anteriores (121 mil em 2012; 100 mil em 2011), comprovando que a tendência de deixar o país continua a aumentar embora o salto tenha sido maior entre 2011 e 2012.

Esta é apenas uma parte da imagem do estado atual da emigração portuguesa, pois ainda estão por apurar as consequências de ordem pessoal e familiar que acabam por afetar tão elevado número de portugueses.