Desde 12 de junho decorre no Brasil o campeonato do mundo de futebol. O papa Francisco enviou uma mensagem onde manifestou o desejo de que este grandioso evento seja «uma festa de solidariedade entre os povos»
Desde 12 de junho decorre no Brasil o campeonato do mundo de futebol. O papa Francisco enviou uma mensagem onde manifestou o desejo de que este grandioso evento seja «uma festa de solidariedade entre os povos»

O futebol movimenta muitos milhões de pessoas em todo o mundo, entre praticantes e simples simpatizantes. Contudo não deixa de ter outros contornos menos positivos, dado que se tornou numa das mais poderosas indústrias do planeta. O aspeto lúdico é a mola que gera mais visibilidade, sendo as transmissões televisivas da Copa do Mundo seguidas em quase todos os países onde milhões de pessoas visionam os desafios preferidos.

Papa Francisco não ficou indiferente a esta realização que decorre até 13 de julho próximo e endereçou uma mensagem a todos os participantes. Nela faz algumas considerações interessantes, sobretudo definindo o jogo como uma ocasião de diálogo, de compreensão, de enriquecimento humano recíproco. O desporto não é somente uma forma de entretenimento, mas também – e eu diria sobretudo – um instrumento para comunicar valores que promovem o bem da pessoa humana e ajudam na construção de uma sociedade mais pacífica e fraterna, acentuou.

Francisco diz ainda que o futebol pode e deve ser uma escola para a construção de uma cultura do encontro, que permita a paz e a harmonia entre os povos. E aqui vem em nossa ajuda uma segunda lição da prática desportiva: aprendamos o que o fair play do futebol tem a ensinar-nos. Para jogar em equipa é necessário pensar, em primeiro lugar, no bem do grupo, não em si mesmo. Para vencer, é preciso superar o individualismo, o egoísmo, todas as formas de racismo, de intolerância e de instrumentalização da pessoa humana. Não é só no futebol que ser fominha (termo brasileiro que corresponde a individualista) constitui um obstáculo para o bom resultado do time; pois, quando somos fominhas na vida, ignorando as pessoas que nos rodeiam, toda a sociedade fica prejudicada.

a última lição do esporte (desporto) proveitosa para a paz é a honra devida entre os competidores. O segredo da vitória, no campo, mas também na vida, está em saber respeitar o companheiro do meu time, mas também o meu adversário. Ninguém vence sozinho, nem no campo, nem na vida!.

O papa Francisco é apaixonado por futebol desde criança. Ele jogava com os seus amigos num terreno situado na igreja Medalha Milagrosa, no seu bairro natal, Flores. Foi o seu pai, Mario Bergoglio, quem o iniciou neste caminho e o contagiou com a paixão pelo seu clube favorito, San Lorenzo de almagro, um clube fundado por um padre em 1908 para resgatar meninos de rua. O Papa não se coíbe de usar metáforas do mundo do desporto nas suas audiências, para tocar o coração das pessoas, porque sabe da popularidade que o desporto tem. Desta forma consegue chegar mais próximo dos seus ouvintes.

O Opus Dei publicou dez frases de Francisco sobre futebol. Vamos apenas citar duas que ilustram o seu pensamento: Se num estádio, pensemos aqui em Roma no Olímpico, ou naquele de São Lourenço em Buenos aires, numa noite escura, uma pessoa acende uma luz, mal se entrevê; mas se os mais de setenta mil espetadores acenderem a própria luz, o estádio ilumina-se. Façamos com que a nossa vida seja uma luz de Cristo. (audiência geral na Praça de São Pedro, 12 de junho de 2013).

Peço-vos que oreis por mim para que também eu, no campo em que Deus me colocou, possa disputar um jogo honesto e corajoso, para o bem de todos nós. (Discurso do Papa Francisco às seleções de futebol da Itália e da argentina, 13 de agosto de 2013).

Será que nós teremos também a coragem de jogar o jogo honesto da nossa vida de cristãos com o nosso próximo?