a vida de um missionário não é feita só de grandes acontecimentos, mas vai dando sentido ao que vive e testemunha.
a vida de um missionário não é feita só de grandes acontecimentos, mas vai dando sentido ao que vive e testemunha. Certamente os acontecimentos descritos em a vida na Missão (I) podem parecer de baixo-relevo, pouco importantes e banais. Mas para nós são significativos. a visita de colaboradores é muito importante, porque nos faz sentir que não estamos sozinhos nesta nossa aventura à Dom Quixote (aquele que lutava com os moinhos e ansiava pela Dulcineia). Esta é a definição de missão mais original que já ouvi e da qual também gosto muito.
É da autoria do P. Inácio Macedo Babo, um missionário Comboniano que é perfeito de estudos no S. agostinho. Dizia então antes de me perder nesta longa parêntesis, que a visita dos nossos benfeitores dá-nos aquele calor humano que nos faz sentir que não estar sozinhos neste nosso sonho.
Quando os benfeitores deixam de ser números (em dólares ou euros) e passam a ser caras amigas que querem fazer parte da nossa vida e que nós entremos nas suas. São aquele sorriso que nos faz compreender que não há problema que tudo vai correr bem, que temos um porto onde amparar o nosso barco quando desgovernado.
as inaugurações das capelas são a prova concreta de uma igreja que está a crescer. Talvez não com a rapidez que muitas vezes desejaria, sonharia ou até mesmo exigiria. Mas sem dúvida a igreja cresce. as igrejas tornam-se pequenas é necessário aumentar e criar novos espaços onde a comunidade possa reunir-se como tal. Infelizmente também aqui estamos aquém das necessidades, não conseguimos responder aos desejos das comunidades. Fizemos duas capelas, ainda faltam três, mas o orçamento não o permite.
as jornadas teológicas são um primeiro passo no longo caminho que deveria conduzir a uma teologia da igreja de Moçambique. Uma teologia que seja capaz de comunicar Deus ao povo Moçambicano.
Uma teologia que saiba traduzir em linguagem corrente aquelas que são as verdades e as riquezas da nossa fé. De maneira que o discurso sobre Deus não seja um discurso importado, elaborado noutro contexto social totalmente diferente e que por isso não tem aqui aplicação prática. Certamente estamos ainda longe desta realização, mas dalguma parte é necessário começar.
Por seu lado, asemana de filosofia éum pequeno e tímido passo em direcção a uma filosofia mais aderente à realidade aqui vivida. É necessário pensar o viver, de maneira a que seja um viver racional verdadeiramente humano. É necessário também que os pensamentos se tornem vida de maneira a não cair numa teorização estéril.
Estes são, entre outros, os nossos afazeres nestas terras longínquas, que por vezes pensamos abandonadas por Deus. Mas o Deus dos cristãos é um Deus estranho, que procura precisamente a ovelha que anda perdida. Que quer estar aí onde se pensa Ele estar ausente. Que dá a precedência na entrada no Seu Reino aos pecadores e às prostitutas. Ele é um Deus que procura sobretudo os que estão afastados e andam perdidos e é mesmo por isso que é o Deus da Esperança. Quando o perdemos não importa porque Ele já está à nossa procura e como é Deus vai encontrar-nos, basta querermos.

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