a velocidade, quase forçada, deste mundo em que nos toca viver, tem deixado muita gente com pouco tempo para avaliar o sentido do próprio andar, medir a intensidade das próprias motivações e redefinir os meios e estratégias para recomeçar, se for preciso
a velocidade, quase forçada, deste mundo em que nos toca viver, tem deixado muita gente com pouco tempo para avaliar o sentido do próprio andar, medir a intensidade das próprias motivações e redefinir os meios e estratégias para recomeçar, se for precisoHá pouco tempo, numa sessão de formação permanente, ouvi dizer que hoje, mais do que nunca, o mundo e a sociedade em que vivemos estão a precisar de criativos, homens e mulheres capazes de sair da sua zona de conforto ou de desconforto para transformar a realidade em que vivem, seja em benefício de si próprios como também da realidade que os circunda a velocidade, quase forçada, deste mundo em que nos toca viver, tem deixado muita gente com pouco tempo para avaliar o sentido do próprio andar, medir a intensidade das próprias motivações e redefinir os meios e estratégias para recomeçar, se for preciso. Transformar a realidade não está nada fácil; por isso, muitas vezes optamos por resolver os problemas do dia a dia e mais nada. Não há tempo para sonhar. Esta atitude fez-me constatar que o comportamento mais comum de um bom número de pessoas é andar pelas ruas, fingindo que vivem e compreendem tudo, só pelo simples facto de terem nos seus bolsos as clássicas e velhas receitas de hábitos e costumes, herdadas daquelas pessoas que, num dia glorioso nas suas vidas, não tiveram medo de romper os moldes e as formas prefeitas, para se lançarem na aventura de escrever algo de novo para um mundo novo. Uma atitude inteligente da nossa parte deveria ser o facto de compreender que essas receitas já não respondem às exigências e desafios dos tempos de hoje pelo simples facto que o mundo está a mudar constantemente e perante os nossos olhos. atenção! Não confundir receitas com valores. Há valores universais que atravessaram a franja da história sem perder a força e o dinamismo. O dilema de hoje é recriar os canais por onde devem passar esses valores, que devem ser compreendidos e assimilados pelo mundo complexo em que vivemos. Nesta matéria tenho visto algumas tentativas de transmitir valores com canais modernos, mas com muito pouco sucesso. Usando como uma lente a imagem bonita do Evangelho de pôr vinho novo em odres novos, descobri que na arte da mudança, são muitas as vezes que confundimos os focos de ação e de interesse. Facilmente compramos, adquirimos e criamos odres novos, mas o vinho que metemos dentro continua a ser produzido com a velha receita de hábitos e costumes regulamentados pelos paradigmas que ditam os modos de ser e estar no mundo, mas um mundo que já foi, e que hoje conhecemos como história. Em outras palavras, posso estar vestido com a roupa da última moda, mas isso não muda a minha maneira antiga, e talvez fechada, de ler o presente. Não somos instrumentos musicais Confesso-vos que nunca pensei e rezei tanto na minha vida como nestes últimos tempos. Manter-se equilibrado neste planeta acelerado e cheio de mudanças, sem se despistar, não é tarefa fácil para quem quer viver os sonhos sem perder o chão, com os pés sobre a terra. Curiosamente, numa conversa com o Jaime, homem que eu acho de grande visão e convicções profundas, falou de um estilo de música que eu nunca tinha ouvido falar: o Jam Session. O curioso desta variante musical, parecida com o Jazz, é o facto de se tocar sem saber o que vem à frente, ou seja de improviso. Nos clubes de jazz é comum que, após o número principal, os músicos presentes sejam convidados para subir ao palco e tocar juntos com a banda sem nenhum ensaio prévio. Este conceito musical vem romper todo o paradigma da orquestra tradicional que, como todos sabemos, só funciona através de pautas bem organizadas e sincronizadas que fazem com que todos os instrumentos, depois de muitos ensaios, produzam uma música harmoniosa e bela. Eis uma boa pista para sermos criativos de um mundo novo. Deixar de lado a ideia fixa que, sem pautas direitinhas e perfeitas, a vida é um caos onde se torna impossível criar música harmoniosa. Não somos instrumentos musicais feitos de metal, plástico ou madeira, quase perfeitos. Somos de carne e espírito, portanto somos imperfeitos, mas aperfeiçoáveis. Isto quer dizer que a vida e o viver não têm ensaios prévios. Criar um mundo novo significa improvisar, arriscar, tentar, caminhar pelo desconhecido e recomeçar todas as vezes que for necessário. Criar um mundo novo significa aprender com o erro, integrar e não combater, acreditar sem desesperar, deixar de lado a urgência do resolver para ceder o passo à proeza do transformar.