«O Senhor é o meu amparo. Ele protege a minha vida. Quero oferecer-Lhe um sacrifí­cio, dando graças ao seu nome», proclama o Cântico de Entrada.
«O Senhor é o meu amparo. Ele protege a minha vida. Quero oferecer-Lhe um sacrifí­cio, dando graças ao seu nome», proclama o Cântico de Entrada. a primeira leitura deste Domingo traz-nos à mente um dos mais famosos e expressivos ícones jamais pintados: a Trindade do monge russo Rublev. No quadro vemos três anjos sentados a uma mesa. Vários artistas tinham pintado a visita a abraão de três Personagens, ou dois anjos e a figura-expressão de Deus, vendo nesses três anjos o símbolo da Santíssima Trindade. Nenhum desses quadros, no dizer dos eruditos, atingiu a perfeição da pintura de Rublev, que mostra de maneira admirável a unidade e a indivisibilidade das três pessoas do Deus Trindade. No quadro é também evidente a expressão da Eucaristia: Cristo Emanuel – Deus-connosco. a primeira leitura fala-nos então da visita de três personagens a abraão. abraão desdobra-se todo no exercício da hospitalidade, que tão grande parte fazia da cultura daquelas paragens. No trecho que ouvimos, os três personagens ora se referem a si mesmos no plural (três), ora como um só. a visita destes personagens tem também a finalidade de fazer a abraão a promessa que sua esposa Sara conceberá e dará à luz um filho, a descendência que ele tanto desejava, e que dele faria o pai de tantos povos. O cristianismo professa um só Deus em três pessoas iguais e distintas. Um Deus Trindade é a melhor expressão para um Deus que é amor (1 João 4,8). Para ser amor verdadeiro, o amor tem de circular, tem de ser dado e recebido. assim um Deus-Trindade é lógico, o amor circula duma pessoa para a outra, não fica fechado em si próprio. Por isso esse Deus-Trindade cria tudo por amor e para que o amor circule entre todas as criaturas que Ele criou à sua imagem e semelhança, uma família de Deus em que o amor é a alma dessa sociedade criada por Deus. ao vermos como vive hoje a humanidade, experimentamos por vezes um sentimento de revolta e tristeza ao ver tantos ódios e incompreensões; ao vermos que grupos dirigentes de sociedades não querem unir-se para dar uma vida mais feliz ao povo para quem juraram trabalhar, mas preferem fechar-se dentro de si próprios num egoísmo paranoico traidor da vocação humana, egoísmo este que imita o espírito de Satanás em vez de praticar o amor de Deus. Felizmente vemos também que há tanta gente que sabe suportar os sofrimentos que o amar traz consigo em certas circunstâncias, gente para quem dar é mais importante do que receber. E um dia, como nos segreda o sonho que é alma da nossa vida, também nós seres humanos seremos amor, à semelhança d’aquela que aqui em Fátima disse: Finalmente o meu Coração Imaculado triunfará, isto é, o amor que Deus colocou no Coração de Maria ao encarnar nela o Filho de Deus, esse amor passará a habitar a vida de todos nós. E então os membros da humanidade poderão dizer: Sim, nós somos amor.