«Quem é o meu próximo? Como me comporto eu como próximo?», pergunta-nos o Evangelho deste domingo

«Quem é o meu próximo? Como me comporto eu como próximo?», pergunta-nos o Evangelho deste domingo
a parábola do Bom Samaritano parece deixar sempre um sabor amargo nas entranhas de quem a ouve e nela bem medita. O doutor da Lei do Evangelho pergunta a Cristo: Quem é o meu próximo? E ao doutor da Lei judeu, a parábola de Jesus mostra que aquele que mostrou ser próximo do homem ferido foi um não-amigo dos judeus: um Samaritano. Na parábola parece claro que ao Samaritano não interessa saber quem é o indivíduo ferido, a que raça, grupo ele pertence. Simplesmente, vê que ele precisa de ajuda, e por isso ajuda-o: para ele o ferido é simplesmente alguém, outro, que precisa dum coração amigo: e aproxima-se dele para o ajudar, torna-se próximo dele. Interessa-nos saber quem é o nosso próximo, quem é que vem deitar bálsamo nas nossas feridas – e talvez menos quem é o nosso próximo que precisa que nós deitemos azeite e vinho nas suas feridas para que possam sarar o mais depressa possível. Quem nos mostrou compaixão como fez o Samaritano? Das nossas feridas se aproximou o Bom Samaritano Jesus Cristo que nelas derramou o vinho do seu sangue para lavar as nossas perversidades ou negligências: a bola está agora no nosso campo. a propósito, quem é o próximo para os grupos dirigentes portugueses neste jogo em que a bola é o nosso povo ferido gravemente por crises, jogo em que os líderes teimam em não se unirem para resolver os problemas, mas preferem gritar intenções de governar-se a todo o custo? Por mais incrível que pareça, até ao fundo dos túneis mais escuros brilha por vezes a centelha da luzinha da boa vontade. Praza a Deus que finalmente se tenha pena, e se dê a este bom povo a compaixão que ele plenamente merece – da parte de quem tanto dele recebeu, e vai recebendo.