Os tempos que correm não são propícios a criar esperança na vida das pessoas, mas nunca ela foi tão necessária. O ser humano precisa de sentir o calor da solidariedade e do amor para não perder o desejo de viver
Os tempos que correm não são propícios a criar esperança na vida das pessoas, mas nunca ela foi tão necessária. O ser humano precisa de sentir o calor da solidariedade e do amor para não perder o desejo de viverQuando se diz que vivemos numa aldeia global – e a definição está correta – já estamos a aceitar o princípio de vida comum, social, de que não podemos viver uns sem outros. É a realidade do dia a dia que o confirma e, necessariamente, não é possível enveredar por caminhos diferentes. Estamos todos dependentes uns dos outros, quer queiramos ou não. Os meios de comunicação social ajudam a essa proximidade, mas também exercem um papel de afastamento. Parece contraditório, mas não o é, e isso verifica-se quando estes deixam de cumprir o seu papel social, para estar ao serviço de interesses de grupos ou pessoas.
Nunca a comunicação de todos para todos foi tão fácil e simples. atentemos, por exemplo, nas novas ferramentas de massas, como o facebook, twitter e outras. aqui se criam, mas também se podem destruir tantas coisas. Por isso é preciso que saibamos aproveitar bem o seu uso. Enquanto pessoas responsáveis devemos utilizar estes meios para nosso bem, sem sermos egoístas, e daqueles que nos rodeiam. É aqui que entram os ideais de cada um ou dos grupos de que possamos fazer parte. Há tantas formas de sermos solidários com os outros e quando nos parece que são escassas, até podemos inventar para o conseguir ser.
Para ser solidário para com o outro não é preciso perfilhar nenhuma religião. Há muita gente que não segue qualquer modelo religioso e é tão solidário como aqueles que apregoam ou a vivem – emborra, como é evidente, não seja a mesma coisa. O tipo de solidariedade que queria abordar é aquele que muitos designam por intergeracional. Está a perder-se o hábito deste género de solidariedade, de pais com filhos, de jovens com os idosos e vice-versa. a situação de crise em que o país vive devia acicatar este espírito, mas apesar de alguns bons exemplos que vão surgindo, ainda estamos longe de cultivar essa vertente solidária na vivência diária. E temos tantos exemplos que nos apresentam todos os dias.
Na atual conjuntura as pessoas mais desfavorecidas sentem na pele as dificuldades, especialmente económicas, mas também sociais. Não é por acaso que ouvimos ou vemos notícias de pessoas de idade que morrem completamente sozinhas, sem qualquer assistência. Não é por acaso que se cometem abusos sobre jovens e crianças, mas também não é por acaso que cada vez mais pessoas poem termo à vida sejam homens ou mulheres, jovens, de meia-idade ou idosos. Especialmente estes perderam os ideais de vida, se é que os tinham, mas certamente que também perderam o carinho dos seus e da sociedade.
Para o cristão, o não ser solidário devia ser encarado como um pecado grave, pois é falhar o princípio da caridade, do amor que devemos uns aos outros.como poderemos esperar solidariedade dos outros se não a praticamos? Ser solidário é amar o outro, dar dinheiro, alimentos ou qualquer outro bem. Claro que é importante e por vezes suprime tantas necessidades que de outro modo não seriam colmatadas. Mas o mais importante é dar-se aos outros. Mas dar-se aos outros é das coisas mais difíceis de fazer, pois temos que nos colocar ao serviço daquele que precisa. Só assim as pessoas podem confirmar que temos um ideal de vida: fazer pelo próximo o que Cristo faria.