a expectativa de vida da população é cada vez mais elevada, mas a qualidade de vida é menor, devido às doenças crónicas típicas da sua faixa etária. Idosos, mesmo com família, tendem a viver os seus últimos dias em lares
a expectativa de vida da população é cada vez mais elevada, mas a qualidade de vida é menor, devido às doenças crónicas típicas da sua faixa etária. Idosos, mesmo com família, tendem a viver os seus últimos dias em laresOuvimos dizer com frequência que a sociedade está envelhecida, não há renovação de gerações, mas o ataque a esses problemas, que deveria ser frontal, continua a passar ao lado de muita gente. Todo o ser humano tem direito ao respeito e dignidade, especialmente quando se encontra mais fragilizado, mas a sociedade encara os mais velhos como inúteis, que constituem mais um empecilho para os outros, esquecendo sobretudo o valor da experiência de vida. Temos de ter a coragem de reconhecer que essa postura está errada e que a sociedade – e cada um de nós – tem que encarar de frente a razão de viver dos mais idosos.
O presidente da associação de apoio Domiciliário e Casa de Repouso de Idosos (aLI), em entrevista concedida à Lusa esta semana, estima que mais de 20 mil idosos vivem em cerca de 3. 000 lares ilegais em Portugal. a constatação deste número é alarmante. as condições de vida que estes ditos lares possam prestar não poderão ser as mais capazes. João Ferreira de almeida, presidente da aLI, afirma que o setor está a conviver com uma concorrência desleal, que são precisas alterações na legislação, maior fiscalização por parte da Segurança Social e o agravamento nas coimas para combater o sentimento de impunidade dessa gente que pratica preços à volta de metade daqueles que são praticados nos lares licenciados. E por que é praticarão esses lares preços baixos?
Já a associação de Casas de Repouso (aCR) revelou que os lares ilegais estão a levar à falência os lares licenciados. Esta associação considera que os cerca de 3 mil lares ilegais existentes no país estão a fazer concorrência desleal, uma vez que, ao não cumprirem os requisitos da lei, conseguem fazer preços muito mais baixos, sendo por isso premiados por violarem a lei, enquanto os licenciados são punidos por respeitarem a lei. Ou seja, quaisquer destas associações estão mais preocupadas com a rentabilidade do seu negócio que com os verdadeiros interesses do idoso para quem trabalham, sabemos que isso é normal, mas convém dizer que também é pouco.
Por outro lado e olhando um pouco para a Segurança Social que temos, verificamos que o Programa Conforto Habitacional para Pessoas Idosas (PCHI), que permitiu fazer melhoramentos nas casas de 1. 205 idosos, evitando assim a sua ida para lares, terminou este ano, conforme avançou quarta-feira passada à Lusa o Instituto de Segurança Social. Os critérios selecionados para a realização das obras, foram os índices de envelhecimento concelhio, os distritos ainda não abrangidos pelo programa e o índice de poder de compra concelhio, utilizando os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). No entanto o ISS avançou à Lusa que pode vir a ser apresentado um novo programa com idênticos fins, no âmbito do próximo quadro comunitário 2014-2020. a ver vamos!
No meio de notícias menos boas ainda conseguem surgir algumas que são exemplo do caminho que deve ser seguido. Estamos a referir-nos ao cartão idoso da Câmara de Mora, que desta forma apoia 1. 600 idosos (com reformas inferiores a 400E) e com o qual estes têm desconto de 50% nos medicamentos, nas taxas e licenças camarárias. Sendo pouco, a verdade é que alivia as dificuldades daqueles que auferem o insuficiente para subsistirem, sabendo nós que nas pequenas cidades é mais difícil viver. Seria bom que outras Câmaras, institutos, associações, públicas ou privadas, tivessem programas de apoio aos mais idosos, felizmente que já começaram a surgir algumas a trabalhar nesse sentido, embora mais ligadas à Igreja. é preciso que a sociedade civil tome consciência de que tal como trata os mais velhos, assim lhe irá acontecer.