Crianças que não frequentam as aulas e adultos sem capacidade para estabelecer ví­nculos com os seus filhos e encontrar o seu papel na sociedade. Estes são alguns dos problemas que afetam a população Síria
Crianças que não frequentam as aulas e adultos sem capacidade para estabelecer ví­nculos com os seus filhos e encontrar o seu papel na sociedade. Estes são alguns dos problemas que afetam a população Síriaaudrey Magis, psicóloga dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), esteve envolvida num programa de saúde mental no norte da Síria e percebeu como a guerra está a afetar a saúde mental das pessoas. À profissional, a população falou sobre os seus problemas: crianças que não estão a frequentar a escola e, que por isso estão a ficar perturbadas, e adultos que não estão a trabalhar.

a maioria vivenciou experiências profundamente traumáticas. alguns perderam amigos ou familiares, outros tiveram as suas casas destruídas ou sobreviveram a bombardeamentos, explicou, adiantando que as pessoas perderam a sua identidade e não conseguem encontrar seu papel na sociedade e na família.

audrey Magis conheceu também muitas mães com imensa dificuldade em estabelecer um vínculo com os seus filhos. atendi diversas mulheres no período terminal da gestação que não tinham preparado nada. Nem berço, nem roupas, nem nome. as pessoas perderam a capacidade de projetar o futuro das suas vidas, disse a especialista, em declarações à revista Globo a Mais.

Do seu trabalho na Síria, a psicóloga recorda uma mulher que, ao sexto mês de gestação, se deslocou ao hospital a pedir para lhe realizarem um parto prematuro sem que existissem motivos médicos. Ela apenas queria ter o filho o quanto antes. Estava muito ansiosa e agitada, e disse que sentia que o bebé lhe sugava toda a energia. Tudo o que ela queria era tomar antidepressivos, mas a gravidez impedia-a, explicou audrey Magis.

a psicóloga dos MSF planeou para esta mulher síria um conjunto de exercícios de relaxamento e entregou-lhe um diário, para que esta descrevesse o que tinha acontecido para causar aquela tensão. Depois de algumas sessões começaram os preparativos para a chegada do bebé. Durante a nossa última sessão, ela mostrou-me as roupas do bebé que estava para nascer. Ela ainda não tinha escolhido um nome, mas tinha feito grandes avanços e estava pronta, sublinhou a responsável, admitindo que deixou o projeto com a sensação de que o seu tempo foi extremamente bem investido.