Notas biográficas sobre o Carlos da Silva Pires, que evidenciam a influência benéfica que a leitura atenta da vida real teve na sua decisão madura e definitiva de ser o sacerdote e o missionário que foi.
Notas biográficas sobre o Carlos da Silva Pires, que evidenciam a influência benéfica que a leitura atenta da vida real teve na sua decisão madura e definitiva de ser o sacerdote e o missionário que foi. Nasceu em meio rural, de família humilde mas ousada, que cedo se partiu entre o campo e a arte asseada de pintar prédios e dourar altares e retábulos de igrejas. Ele escolheu esta arte que lhe foi moldando o espírito e dourando o coração que o haviam de levar a desejar celebrar, em toda a sua beleza e conteúdo profundo, a fé simples que herdara em casa. Ia surgindo a vocação.
O serviço militar a que se apresentou com pontualidade e que cumpriu com rigor, não apagou e nem sequer interrompeu o que já lhe parecia ter visto claro e belo, como ouro sobre azul, ao dourar com perfeição consciente e intencional os ângulos mais recônditos dos sacrários que iam abrir as portas, como morada, ao Hóspede Divino que insistentemente, como ele deixou escrito, o convidava a segui-Lo sem reservas. a tropa, aliada ao alicerce já dourado do seu espírito, deu-lhe um sentido de disciplina afável, comunicativa, desarmante e demolidora das agressividades alheias. O serviço na messe de oficiais para que foi destacado, refinaram nele a delicadeza no trato, na deferência e no préstimo.
Foi assim que chegou ao Seminário das Missões da Consolata em 1951. a sua estatura física e moral sobressaia mas não avassalava, antes, cativava as crianças e adolescentes que eramos quase todos os demais com quem ele partilhava, em desigualdade de frescura intelectual, as agruras do estudo do latim, do grego, das matemáticas e, mais tarde da filosofia e da teologia. Nunca sossobrou perante dificuldade alguma.
a ordenação sacerdotal em 1963 laonçou-o, sôfrego, no desempenho global do ministério sacerdotal e missionário. Director espiritual, superior de comunidades, pároco em Lisboa sempre utilizou o condão em que era mestre de personalizar. relações, desarmar resistências, aplanar dissenções, sarar feridas, dar e pedir reconciliação.
Homem amante do culto a Deus quis dar a esse culto conteudos profundos preparando-se, em Paris, para, mais tarde, desempenhar com competência e sentido, no Santuário da Virgem de Fátima a direcção do culto que as centenas de milhares de peregrinos prestavam à Trindade que, de Maria, fizera a sua morada.
Preferira a vida missionária ao sacerdócio diocesano a que quiseram encaminhá-lo e nunca partiu em missão para longes terras. Ficou por cá, com os que também não partiram. Em trabalho delicado de padre hoteleiro, sujeito a várias interpretações, estabeleceu com a sociedade civil peregrina e turista, agências de viagens e indústrias hoteleiras um diálogo tendente a envolver a todos em atitudes de solidariedade para com os mais pobres do mundo a quem se destinam os lucros da casa que geria.
Poucos meses antes de partir escrevia: Reflecti muito sobre o meu estado de saúde e a minha situação espiritual. Estou bem disposto, mas tenho que trabalhar muito para a minha Festa de Passagem. O P. Carlos passou procurando fazer o bem bem feito até ao fim. Paz à sua alma.

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