O desenvolvimento tecnológico e o aumento da procura dos cuidados de saúde estão a asfixiar financeiramente o setor. a solução passa por racionalizar custos e adaptar as unidades sanitárias às necessidades da população, foi defendido em Fátima
O desenvolvimento tecnológico e o aumento da procura dos cuidados de saúde estão a asfixiar financeiramente o setor. a solução passa por racionalizar custos e adaptar as unidades sanitárias às necessidades da população, foi defendido em Fátima O cardiologista e vice-presidente da Federação Mundial de Médicos Católicos, alexandre Laureano Santos, defendeu esta quarta-feira, 29 de maio, em Fátima, uma maior racionalização de custos e uma efetiva adaptação dos centros de saúde às necessidades reais das populações, como meios indispensáveis para a sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde. Na sua opinião, é impossível manter o ritmo de crescimento da despesa pública com a saúde, mas perfeitamente possível reduzir custos, através de um ajustamento estrutural do setor. a sociedade precisa de alterar a estrutura de custos na prestação de cuidados e adaptá-la às situações das nossas populações, sobretudo as mais idosas, e isso não corresponde necessariamente a uma maior atribuição de despesas, afirmou o especialista, sugerindo uma maior integração dos centros de saúde nas comunidades, adaptando-os, tanto quando possível, às patologias dominantes. Se existem mais cáries nas crianças, mais trabalhadores em minas ou mais populações rurais, há que criar sistemas adaptados a esse tipo de necessidades e os centros de saúde devem estar ajustados a essas circunstâncias, de forma racional, exemplificou Laureano Santos, à margem do Encontro Nacional da Pastoral da Saúde. Caso contrário, se não houver um aprofudamento sério deste tipo de propostas, o país não vai a lado nenhum. Tem que haver uma integração maior de todos estes meios, porque fazem parte de um bem comum, sustentou o cardiologista. Para Laureano Santos, é errado dizer-se que os cuidados de saúde são gratuitos, ou mesmo tendencialmente gratuitos, porque para que existirem, todos temos que pagar. Os meios de luta contra a doença em Portugal consomem atualmente mais de 10 por cento da riqueza que o país produz. O que quer dizer que a saúde, não é gratuita, é muitíssimo cara, e um bem precioso que é suportado por todos os que para ela contribuem com os meios financeiros, isto é, por todos nós, acrescentou o médico.