a União Europeia foi criada com o objetivo de pôr termo às frequentes guerras sangrentas entre países vizinhos, que culminaram na Segunda Guerra Mundial. após a união e consolidação económica arrasta-se agora para a falência
a União Europeia foi criada com o objetivo de pôr termo às frequentes guerras sangrentas entre países vizinhos, que culminaram na Segunda Guerra Mundial. após a união e consolidação económica arrasta-se agora para a falência a Europa avança a passos largos para a falência económica, e até possível desagregação, dezenas de anos após a sua criação que veio trazer um conjunto de benefícios e consequente desenvolvimento a uma boa parte dos países que souberam colher os frutos da união. Por outro lado, aqueles que não o fizeram – o nosso país é um deles – estão agora em sérias dificuldades para manter a sua soberania económica, pois da independência política há muito que prescindiram, pela via da obrigatoriedade de acatar as leis europeias. a ideia que presidiu à formação da União da Europeia (EU) foi positiva, sendo mais tarde concretizada através da criação de um espaço (Mercado Único) onde foi possível assegurar a livre circulação de mercadorias, serviços, pessoas e capitais.

O continente europeu colheu imensos benefícios em todas as áreas, apesar da enorme dificuldade em encontrar consenso entre todas as nações que foram aderindo. a existência de interesses diametralmente opostos entre países ricos e pobres foi um obstáculo. a arquitetura da UE pecou por não haver sido delineada tendo em conta as pessoas, mas únicamente a sua componente económica, política e social. as pessoas foram ignoradas e só os políticos é que tomaram as decisões, não tendo dado voz às populações, afinal as mais interessadas. Portugal, assim como a maior parte dos países que fazem parte da UE, não permitiu sequer que fosse feito um referendo no sentido de perguntar às populações se queriam, ou não, fazer parte da união.

O euro – a moeda única da UE – entrou em vigor no ano de 2002, mas não foram acauteladas outras medidas compensatórias que permitissem aos governos de cada país assumir os impactos negativos que dela derivassem. Quando em setembro de 2008 estalou a crise financeira que assolou a economia mundial, os decisores europeus enfrentaram-na e concretizaram – através do Tratado de Lisboa em 2009 – com novas instituições e métodos de trabalho mais eficientes. apesar das medidas tomadas tal não evitou que em 2010 surgisse uma grave crise económica que atingiu a maior parte dos países, especialmente os mais vulneráveis e impreparados.

Será conveniente relembrar que Portugal recebeu, desde a sua adesão à UE, muitas toneladas de euros ao longo dos anos para reformar estruturas, no sentido de preparar as empresas e o país para o embate do mercado livre. Está á vista a forma como (não) foram utilizados esses fundos. Responsabilidade de quem? O sentido de responsabilidade parece não fazer parte do dicionário político, não apenas no nosso país, mas em muitos outros, mas já começava a ser tempo de exigir a quem não foi bom gestor que responda pelos seus atos, mesmo criminalmente. Será que um dia nos farão essa justiça? Tenho sérias dúvidas que tal aconteça.

Mas o cerne de toda esta questão da falência económica europeia é que isso acontece também graças às conquistas individuais e coletivas que foram sendo concedidas aos cidadãos. a Europa avançou economicamente, mas regrediu moralmente e isso foi fatal. Referimo-nos à moralidade aplicada aos usos e costumes, especialmente das famílias. a aprovação dos casamentos homossexuais, o aborto, as leis que protegem os direitos dos delinquentes de qualquer espécie, social, económica ou outras, são apenas alguns exemplos. Neste contexto a Igreja deve continuar a manter a preocupação de delação dos erros e do apoio às pessoas atingidas pela calamidade económica e social, dando voz àqueles que não são ouvidos.