«Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito Santo, sois um só Deus uno e trino»,
diz-nos o prefácio deste domingo
«Com o vosso Filho Unigénito e o Espírito Santo, sois um só Deus uno e trino»,
diz-nos o prefácio deste domingo a Santíssima Trindade: um Deus em três pessoas iguais e distintas que existem para se amarem, e para amar tudo o que do seu amor veio: a criação inteira. amar! Virá a palavra amar’ de ad mare’, para dentro do mar, mergulhar no pélago do amor? Na Santíssima Trindade, é sem dúvida assim: amando-se, as três pessoas fundem-se cada uma nas outras num amor sem limites que delas forma um só Deus: fusão sem perda de identidade. E todo o nosso amor, para tal ser, tem de fundar-se no amor criativo da Santíssima Trindade. Tal era o amor entre as três pessoas que tinha de ser comunicado para fora, e por isso Deus exprimiu-se criando o ser humano à sua imagem e semelhança, para que entre os dois, Deus e o ser humano, existisse uma comunhão de amor. E a humanidade é uma cópia, limitada sim, mas cópia do que é a Santíssima Trindade: nela, a humanidade, há uma fonte de vida: o pai e a mãe que geram amando e por amor; os filhos, produto desse amor, que de amados se tornam amantes; e o amor, o laço desmedido que os une todos numa família. Tudo isto é imensamente lindo, mas não é só uma idealização: foi-nos revelado pelo Verbo-Palavra de Deus feito homem, Jesus Cristo. E tudo isto nos é ensinado pelo próprio Espírito do Pai e do Filho que mora em nós. E a Igreja, Esposa de Cristo, transmite de geração em geração estas verdades do amor de que somos espelho. Mas cada um de nós tem de entrar dentro de si próprio, no pego-santuário do amor, para descobrir este Deus-Trindade; deve, cada um de nós, estudar a radiografia trinitária que existe no nosso espírito, para assim termos a certeza que não somos corpos vazios de sentido, mas habitáculos do Deus-amor. O mistério da Santíssima Trindade é para nós uma defesa contra a tentação do egoísmo, daquele fecharmo-nos em nós mesmos sem nos partilharmos. a verdade é que o amor só é amor quando se dá a outrem, para não se fechar egoisticamente no círculo de si próprio. Dizia S. agostinho: Que eu te procure sempre, Senhor, chamando por ti; que eu te chame acreditando em ti, pois já nos invadiu a voz do teu anúncio Fizeste-nos para ti, Senhor, e só em ti pode o nosso coração encontrar descanso. Vivida, transformaria esta verdade toda a vida da humanidade. ao Senhor Deus Trinitário, o nosso louvor pelo seu amor que enche todo o universo. ao Pai, e ao Filho, e ao Espírito Santo, glória para todo o sempre. amen.