Há países que só conhecemos pelas más notícias. Nalguns países, mesmo internamente, as notícias estão povoadas de violência e de frivolidades. a Sipaz propõe pôr a paz em circulação.
Há países que só conhecemos pelas más notícias. Nalguns países, mesmo internamente, as notícias estão povoadas de violência e de frivolidades. a Sipaz propõe pôr a paz em circulação. a Colômbia não deixa de contar os mortos causados por um conflito sem pausa à mais de 50 anos. Um sistema de comunicação decidiu ir mais além do registo das vítimas e dos perpetradores e optou pelos actos de paz que todos os dias acontecem nos vários cantos do país. O Sistema de Comunicação para a Paz, Sipaz, agrupa 18 redes de comunicação comunitária num igual número de regiões. O seu objectivo é gerar informação a partir de processos sociais.
Uma guerra arrasa-nos e a outra apaga-nos, explica Maurício Beltrán, coordenador da Sipaz, ao referir-se à frequente omissão que faz a imprensa nacional e internacional de experiências de desenvolvimento integral e iniciativas da sociedade civil que são exemplo de convivência e reconciliação. Quando só aparece uma mensagem que reitera a violência, pode-se concluir que essa é a única realidade. Por isso a Sipaz propõe o registo permanente de acontecimentos de paz que, sem esquecer a guerra, permitem ver o tecido social que sustém o país.
O ponto de partida foi o reconhecimento das acções do sector público e privado e das organizações sociais ao redor da cultura, do desenvolvimento sustentado, da educação, da comunicação, dos direitos humanos, entre muitos outros temas. Depois fazer um seguimento constante através dum sistema de colaboração de meios que inclui a rádio, a imprensa, a televisão comunitária, numa espécie de portal de noticias: www.sipaz.net
Deste modo articulam-se várias plataformas tecnológicas e faz-se circular a informação através de diferentes canais, com cobertura nacional graças aos sócios do sistema, os quais cobrem grande parte do território nacional. Cada rede de comunicação comunitária forma no seu território um nó com a função de partilhar a informação sobre acontecimentos, experiências e pessoas locai, mas também tem a função fundamental de fazer circular os sus símbolos próprios.
O projecto, iniciado em 1998, conta hoje com 18 nós que agrupam 200 emissoras comunitárias, dois jornais, 35 canais de televisão e 25 telecentros. Nestes meios participam indígenas, comunidades afro-colombianas, organizações juvenis, organizações infantis, grupos de mulheres, grupos comunitários e culturais.
a Fundação Colômbia Multicolor, uma organização não-governamental dedicada ao fortalecimento da comunicação comunitária, é a entidade coordenadora e entre as suas principais funções tem a de servir de conector entre os nós, propiciar uma comunicação integral e gerir os recursos.
Este processo de partilha e encontro é assumido como um caminho para a construção de uma cultura cidadã que começa nos meios locais e, paulatinamente, procura um lugar na agenda nacional.
Soraya Bayuelo, que participa em Sipaz através do Colectivo de Comunicações Linha 21 dos Montes de Maria, conta que se trata de procurar união, não unidade: Cada um contribui com a sua experiência e recebe para sua experiência, Num sistema todas as partes são importantes, não há divisão entre pensar e actuar, ordenar e executar, imaginar e fazer.
Regiões como o Guaviare, Magdalena Médio, Montes de Maria, Piedemonte amazónico, Pacífico Sul, Causa, têm representação em Sipaz através das suas redes e colectivos. Não se trata de uma forma corporativa mas de um estilo de trabalho colectivo no qual se realizam ligações de transmissão, se partilham estratégias de comunicação, se fazem visitas e se reconhecem identidades culturais e ambientais, ao mesmo tempo que se cruzam histórias e dados chave de gestores de paz e convivência nos mais variados cenários sociais.
Um pano de fundo ético leva estes comunicadores a dar valor à resolução pacífica de conflitos, a dar canais de expressão a grupos étnicos e de gerações diferentes, a indagar sobre a representação da mulher, assim como a destacara participação democrática. Não pretendem opor-se aos meios comerciais, definem-se por uma aposta em fontes de informação y acontecimentos noticiosos que reflictam a diversidade, a identidade cultural e a solidariedade.

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