Ousado nas intervenções e na forma de estar no mundo, óscar Romero, o arcebispo de San Salvador assassinado a tiro, em 1980, é um exemplo de fé que deve ser recuperado para o dia a dia dos cristãos, considera o arcebispo de Braga
Ousado nas intervenções e na forma de estar no mundo, óscar Romero, o arcebispo de San Salvador assassinado a tiro, em 1980, é um exemplo de fé que deve ser recuperado para o dia a dia dos cristãos, considera o arcebispo de Braga Mais do que discursos, de grandes cartas apostólicas ou encíclicas, a Igreja de hoje precisa de testemunhos muito concretos e daí a importância de recuperar o exemplo de uma figura como a de Óscar Romero, afirma o arcebispo de Braga, Jorge Ortiga, a propósito do ciclo de conferências que os Missionários da Consolata estão a promover em Portugal, com a participação de Gregório Rosa Chávez, bispo auxiliar de San Salvador e embaixador’ da causa para a beatificação do arcebispo salvadorenho, morto a tiro, em 1980. Nestes tempos de um certo relativismo em que vivemos mergulhados, Óscar Romero aparece como um rosto de fé e de coragem. Um homem ousado nas suas intervenções e na sua maneira de se situar no mundo e por isso mesmo um testemunho vivo do Evangelho que encontra a confirmação do mesmo testemunho no martírio. Um martírio que terá sido durante toda a sua vida, mas particularmente na altura da sua morte, sublinha Jorge Ortiga, em declarações à Fátima Missionária. a divulgação no nosso país da doutrina profética de Romero surge, por isso, como um verdadeiro apelo a todos os cristãos, para uma vivência plena e assumida da fé. a fé tem que ser transportada para a vida, nas 24 horas e nos contextos mais variados, com ousadia, coragem, sem vergonha, sem complexos, não para impor nada a ninguém mas para fazer saber que a proposta de Cristo é uma proposta de plena atualidade, de realização e felicidade humana, adianta o arcebispo de Braga. Para Jorge Ortiga, a Igreja em Portugal ainda vive muito instalada nas convicções pessoais e, por vezes, coloca a fé personalizada entre parentisis. Ou seja, dá-lhe significado em alguns momentos da vida, mas nem sempre consegue enraizá-la no dia a dia das comunidades e na sociedade. Neste sentido, o prelado espera que testemunho deixado aos portugueses por Gregório Rosa Chávez, possa servir de incentivo para que exemplo de Óscar Romero seja imitado, não no martírio físico, mas no martírio do testemunho.