Há peregrinos que, todos os anos, calcorreiam estradas e caminhos, alguns chegam a demorar dez dias a chegar a Fátima. Quanto sacrifí­cio e amor são necessários para conseguirem realizar esta autêntica proeza
Há peregrinos que, todos os anos, calcorreiam estradas e caminhos, alguns chegam a demorar dez dias a chegar a Fátima. Quanto sacrifí­cio e amor são necessários para conseguirem realizar esta autêntica proezaTodos os anos as estradas e caminhos de Portugal têm um único sentido: Fátima. Os mais incrédulos dizem que é moda ir a pé a Fátima. Não nos parece e achamos ridícula a expressão, só o dizem por que certamente nunca meteram pés ao caminho para conhecer o que é a dura realidade. Não é possível peregrinar a Fátima como se vai ao futebol, por exemplo. Por outro lado, há quem afirme que apenas o fazem aquelas pessoas que têm uma fé menos esclarecida, também não é verdade, pois deparamos com pessoas dos mais variados extratos sociais, com ou sem cultura, o que as move é algo mesmo mais sublime.

Independentemente dos motivos que levam as pessoas a fazer a promessa de uma caminhada a Fátima há sempre duas coisas que estão presentes: a gratidão ou o pedido de algo à Virgem, numa e noutra estão princípios de fé. Menos esclarecida, mais esclarecida, não está em questão. Quando as pessoas saem de suas casas em grupo, ou isoladamente, e rumam a caminho da Cova da Iria já sabem que terão de suportar a intempérie, seja calor ou frio, a falta de condições mínimas de conforto, a alimentação menos regrada, o cansaço da caminhada, por vezes a exploração dos outros. Nada disso as demove.

Para exemplificar o tipo de peregrinação que não corresponde aos padrões normais, vamos lembrar a peregrinação de Pedro Caldeira, que foi um famoso corretor de bolsa em Lisboa e que, como qualquer outra pessoa, fez um pedido à Virgem que pagou indo a pé a Fátima. a peregrinação foi feita, mais ou menos assim: todos os dias caminhava uns determinados quilómetros e ao fim da caminhada alguém o ia buscar e ele regressava confortavelmente a casa, à sua caminha, à sua família, ao seu meio. No dia seguinte, sentado no fofinho da sua viatura, era levado até ao local onde tinha terminado no dia anterior e daí andava mais uns quantos quilómetros e assim foi repetindo até Fátima. Sem querer fazer juízos de valor, isto é ludibriar a fé.

aquilo que temos verificado ao longo dos anos é bem diferente. Já falamos com muitos peregrinos, em Fátima ou pelo país fora, e a conclusão que tiramos é bem simples: as pessoas têm problemas na vida que pensam não ser possível a sua solução sem a intervenção dos céus e é à Virgem de Fátima a quem recorrem. Muitas são atendidas nas suas preces, pelo menos é assim que pensam, e a prova disso são as ofertas dos mais variados objetos e dinheiro ao Santuário de Fátima. Há quem recrimine este tipo de dá-me e eu em troca dou-te, mas é a forma de ser das pessoas, afinal representa também uma forma de partilha.

ano após ano, vemos passar à nossa porta – ou noutros locais – já a caminho da Capelinha das aparições, os mais variados grupos, uns com muitas pessoas, outros com menos, mas quase todos cantando, espalhando alegria em volta e contagiando os outros. Por vezes, quando sei de onde vieram, pergunto a mim próprio: Como é possível passar tantos sacrifícios durante tantos dias e chegar aqui com esta disposição? a única resposta que me poderá convencer é que o ser humano quando tem fé pode mover montanhas.