«Bom dia, Luísa! Sou o Paulo antunes!» Do outro lado da linha, uma voz de espanto. «O nosso Paulo antunes? Irmão do Victor e do afonso?»
«Bom dia, Luísa! Sou o Paulo antunes!» Do outro lado da linha, uma voz de espanto. «O nosso Paulo antunes? Irmão do Victor e do afonso?»- Esse mesmo! Estou cá na cidade com a minha namorada e gostaria que ela vos conhecesse. Convidam-nos para jantar aí na Instituição?Foi assim que 12 anos depois, aquele rapazinho curioso e insatisfeito que queria ser alguém se fez anunciar. Foram 19 anos de muitas conquistas: Fez o curso na Escola Náutica, tornou-se piloto de grandes navios, viajou por quatro continentes, trabalhou em várias empresas internacionais e não descansou ainda de desafios, cada vez mais elevados. Sobretudo, possui aquilo que diz ser o centro do seu sucesso: tem amigos em todos os locais por onde passou. a namorada de Paulo olha-o com ternura. Nenhum deles precisa de muito para estar feliz, mas são exigentes na qualidade do que fazem e querem: esforçam-se pelo seu melhor O projeto a dois não se confina a quaisquer fronteiras porque ambos se habituaram a não temer o medo. ao jantar, Luísa, Paulo e a namorada, rodeados por muitos rostos atentos, recordaram o rapazinho de 18 anos que se lançou no desconhecido a partir da instituição onde, com os irmãos, passara a sua adolescência e juventude. Para essa aventura, levou apenas o que era, porque ter, não tinha nada. Na sua teimosia em vencer, aprendeu a transformar dificuldades em oportunidades e lutou para que as dores de que era feita a sua história não fossem sinónimo de ser menos mas criadoras de valor que ele podia usar para ser tão grande quanto decidisse ser. ao longo de todo este tempo não deixou que a solidão ou os desânimos o vencessem ou que os temores face às responsabilidades que lhe eram confiadas o impedissem de assumir tarefas de crescente complexidade. Hoje, quando regressou à instituição onde aprendeu a desafiar-se, quis ser símbolo de conquista e de esperança para todas aquelas crianças e jovens que, tal como ele, vivem sonhos e medos numa batalha tantas vezes solitária e silenciosa. ao jantar, ao contar a sua história rodeado por crianças e jovens curiosos, era um homem amadurecido, conhecedor de um mundo com que tentava motivá-los, aprendiz de lições que lhes queria ensinar, mas era sobretudo um conquistador de uma estima por si e por um grupo imenso de pessoas com quem se cruzou, a quem valorizou e se foi ligando. Era tudo isso que queria partilhar neste gesto simples de se fazer convidar para o jantar: queria dizer obrigado e ser rosto de esperança – ele sabia quanto isso era importante!as expressões do grupo, o espanto pelos seus contos, as perguntas sem fim, recarregaram de afeto a sua mochila de piloto que um dia foi menino e jovem à volta desta mesa. as palavras da Luísa e os yes ruidosos dos miúdos traduziram aquilo que ele sentia:- Sabes, Paulo, a tua visita representou para nós um feito maior do que o de conduzires um navio em dia de tempestade: Vamos recordar-te sempre como sinal de esperança, sobretudo nos nossos dias de temporal! Muito obrigado!