Uma das grandes tentações que persiste em invadir a vida da fé é o sentir-se «abandonado» por Deus, de modo especial nos momentos mais complicados da vida. Os discípulos de Jesus também sentiram esta dificuldade
Uma das grandes tentações que persiste em invadir a vida da fé é o sentir-se «abandonado» por Deus, de modo especial nos momentos mais complicados da vida. Os discípulos de Jesus também sentiram esta dificuldade

Jesus não quer que os seus discípulos vivam com essa incerteza e assim garante-lhes a certeza de um companheiro. O evangelho proposto para este domingo tem como contexto a última ceia de Jesus com os seus discípulos, um momento muito solene e rico de recomendações e heranças da parte de Jesus. Se anteriormente Jesus afirmara ser o caminho que deve ser seguido, desta feita recorda que para seguir o caminho é necessário guardar a Palavra. Guardar a PalavraOs discípulos precisam de guardar a Palavra, porque isso é garante da companhia de Deus na vida. Mas o que significa guardar? Poder-se-ia ser tentado a pensar num ato de conservação, mas este guardar vai muito além dessa conservação. Guardar é conservar e atuar a Palavra de Jesus na própria vida; trata-se de um binómio que deverá estar sempre presente na vida dos discípulos. assim, é preciso questionar-se: como tenho guardado a Palavra de Deus? Hoje escutamos muitas palavras ao longo do dia, talvez até palavras a mais, de modo que é necessário fazer um discernimento entre o que vale a pena conservar e o que deve ser descartado, porque podemos correr o risco de conservar o que não presta. Será que a Palavra de Deus está bem conservada dentro de mim? É uma conservação passiva ou ativa? Isto é, apenas guardo ou vivo esta palavra?Morada de DeusQuem guarda a Palavra de Deus pode ter a certeza de ser morada de Deus. Certamente que se trata de uma lindíssima mensagem. Eu sou morada de Deus, que vive dentro de mim, na medida em que procurar guardar e viver a sua Palavra no concreto da minha vida. Paráclito – CompanheiroSer capaz de guardar a Palavra não é uma tarefa fácil. Por isso, Jesus deixa um paráclito. a origem grega da palavra evoca alguém que exorta em vez de Por isso, algumas vezes é traduzida por advogado, ou intercessor. aqui proponho a tradução de companheiro. Jesus deixa-nos um companheiro de viagem, o qual terá a missão de nos ajudar a recordar e guardar a sua Palavra, porque estamos certos de que esta Palavra é fonte de vida. ShalomJesus, ao despedir-se, oferece aos seus o dom da paz. Não se trata aqui de um simples despedir-se, pois esta linguagem era usada pelos judeus nas suas saudações, mas vai mais além. Jesus quer que os seus discípulos tenham a serenidade de quem se sente sempre acompanhado. Não ficarão órfãos ou sós, mas terão sempre um companheiro que é um amigo que percorre a estrada da vida junto de cada um.