Há famílias de cinco pessoas a viver com 380 euros por mês, sem direito a medicamentos. E a Segurança Social já avisou que muitos dos subsídios acabam em junho
Há famílias de cinco pessoas a viver com 380 euros por mês, sem direito a medicamentos. E a Segurança Social já avisou que muitos dos subsídios acabam em junho O Instituto da Segurança Social enviou uma carta a todos os imigrantes, incluindo os refugiados políticos, a informar que ia proceder a cortes nas prestações sociais, já a partir deste mês. as reduções rondam os 70 por cento e a partir de junho, quer os subsídios de ação social, quer o rendimento social de inserção social, cessam em definitivo para todos, revela esta terça-feira, 23 de abril, o jornal Sol. a medida vai afetar os cerca de 350 refugiados enviados para Portugal pelas Nações Unidas. Sinto que morri. Que morremos todos, eu e a minha família, desabafa alaa Mohammed assan, uma professora iraquiana, que chegou ao nosso país em 2009, depois de vários meses num campo de refugiados da Síria. Não temos dinheiro sequer para pagar a renda de 500 euros, adianta a docente em declarações ao semanário, explicando que todos os meses tem de implorar ao senhorio que não despeje a família da casa, na Bobadela (concelho de Loures). Segundo o jornal, desde que as cartas da Segurança Social começaram a chegar aos destinatários, não têm parado os pedidos de auxílio ao Conselho Português para os Refugiados (CPR). assim que começaram a receber as cartas, em meados de março, vieram pedir-nos ajuda. a Segurança Social anunciava que iria reduzir-lhes as prestações, nalguns casos em 70 por cento, já a partir de abril. Escrevemos para o organismo em nome deles, a pedir o prolongamento do prazo em pelo menos um mês, refere Mónica Frechaut, responsável pela informação pública do CPR. O pedido foi aceite e o CPR continua agora a fazer contactos para resolver, pelo menos, os casos mais desesperados, mas a decisão sobre o futuro destes refugiados depende apenas do governo. O Estado aceitou acolhê-los, assumiu uma responsabilidade. Não lhes pode tirar o tapete a meio do caminho e mudar as regras, afirma akbar Saiyad, responsável pelo centro de solidariedade da Mesquita Central de Lisboa, onde muitos dos imigrantes em dificuldades têm procurado ajuda.