Governar um país não tem muito que saber, só exige competência e rigor. Mas, sobretudo, verdade! Há muito que a maior parte dos políticos deixou de cultivar essas qualidades e muito menos a realidade diária
Governar um país não tem muito que saber, só exige competência e rigor. Mas, sobretudo, verdade! Há muito que a maior parte dos políticos deixou de cultivar essas qualidades e muito menos a realidade diária Outrora, estas coisas da política eram apenas para os entendidos. as classes que detinham o poder económico geriam a sua prática da forma que mais lhes convinha.com a República a prática política alargou-se a outras classes e os partidos acentuaram o seu poder. Mas com o Estado Novo, estes foram perdendo peso, acabando mesmo ilegalizados. Ficou apenas a União Nacional, portanto partido único.com o 25 de abril surgiu uma nova realidade. Formaram-se e reformaram-se partidos que albergaram todas as classes sociais e económicas. Mas com a liberdade política vieram as velhas práticas políticas, só que mais refinadas, e que ainda hoje persistem. a verdadeira democracia, que era suposto ser para todos, passou a ser exercida voltada para dentro, ou seja, apenas para os partidos e seus filiados, ou mesmo simpatizantes.
O regime do Estado Novo, cujo maior símbolo foi Salazar, apostava no domínio do povo, dando prioridade à repressão sobre os opositores. Mas subtilmente também não desenvolvia o conhecimento, ou seja, não dava aos cidadãos as possibilidades adequadas para a sua instrução. a educação era para as classes mais abastadas. Os outros começavam a trabalhar cedo, por que eram tempos de vacas magras, porventura ainda mais que hoje. a austeridade nesses tempos era obrigatória, pois o trabalho era pouco e mal pago e os direitos de quem trabalhava quase não existiam. Foram dezenas de anos seguidos em que não havia direitos, faltava o pão, não existiam apoios de saúde e outros. Mas também não havia oportunidades, o que levou a uma emigração em massa para vários países, especialmente França. Hoje, cada dia que passa, a história repete-se mas com outros contornos.
a palavra mais ouvida atualmente, e sentida na pele de cada um, é austeridade.com a abertura gerada pela pseudo-revolução abrilista e a votação de uma nova Constituição, foi possível recuperar o direito de liberdade de expressão e constituir um autêntico estado social onde a saúde e o ensino passaram a ter um lugar mais expressivo. Foi algo de extraordinário que deveria ter sido preservado. Mas a falácia dos políticos na obtenção de votos levou-os mais longe e acabaram por gastar muito mais que o razoável. O resultado da falta de bom senso na governação ao longo de décadas levou o país à bancarrota, pois é nessa condição que se encontra. as consequências estão à vista. País e famílias endividadas, o que obrigou os governantes a solicitarem ajuda às entidades europeias.
Os sucessivos governos do país não acautelaram o interesse dos cidadãos e de Portugal. Por isso foi necessário recorrer à ajuda externa e esta impôs as suas condições, sendo a austeridade uma das consequências. O que se discute a vários níveis é se esta receita de austeridade imposta pela troica é a mais adequada ou não, mas o exemplo idêntico que foi utilizado na Grécia não resultou. E aqui vem ao de cima a qualidade dos políticos que temos: cada família partidária puxa a brasa à sua sardinha e não há o consenso necessário para resgatar este país que deve ser para todos. Os políticos continuam a prestar um mau serviço e ainda não se consciencializaram que estão a ser os coveiros do país que um dia lhes pedirá contas.
É perfeitamente natural que ninguém deve gastar mais de que aquilo que tem. Se não tem, precisa de produzir e só depois poderá gastar. O problema consiste mesmo na economia produtiva que escasseia e é preciso pôr em marcha. Só poupar poderá ser bom, mas não chega para pagar as dívidas contraídas. Este princípio tanto serve para o indivíduo, como para o país. Quanto à austeridade em si, será bom que seja equitativamente distribuída. Quem tem ou ganha mais deve descontar mais para permitir que os que pouco usufruem possam viver com alguma dignidade. É um princípio de justiça social que deve ser respeitado.