Na primeira nomeação importante do seu pontificado ocorrida esta semana, o Papa Francisco escolheu para supervisor das ordens religiosas José Rodriguez Carballo, mestre da Ordem Franciscana dos Frades Menores
Na primeira nomeação importante do seu pontificado ocorrida esta semana, o Papa Francisco escolheu para supervisor das ordens religiosas José Rodriguez Carballo, mestre da Ordem Franciscana dos Frades MenoresDesde que assumiu o título de bispo de Roma, Francisco não tem deixado de surpreender, dia após dia, nas decisões e atitudes que estão a marcar a sua ação enquanto responsável pela Igreja católica. O alcance desta decisão de nomear um franciscano, para além de um sinal visível da sua interpretação pessoal na forma de dirigir as congregações religiosas, demonstra também a sua preferência pelo caminho de aproximação aos mais fracos, seguindo à letra aquilo que Cristo pregava e fazia. Mostra que é um defensor de uma “Igreja pobre para os pobres”. Não foi por acaso que adotou o nome de Francisco. Fê-lo porque o seu coração bate pelos desfavorecidos. Demonstrou-o enquanto arcebispo de Buenos aires.

a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida apostólica- departamento que integra da Cúria Romana e do qual dependem as ordens religiosas – é dirigida pelo cardeal brasileiro João Braz de aviz. José Rodriguez Carballo, de 59 anos, mestre dos franciscanos (OFM), foi nomeado número dois da instituição, sábado passado, tendo sido promovido a arcebispo da sede titular de Belcastro. De nacionalidade espanhola, Carballo provém de uma família de camponeses galegos pobres que emigraram para a alemanha e tem ideias muito claras: a Europa secular precisa, mais do que nunca, dos valores evangélicos franciscanos, disse em 2009, aquando da sua reeleição para mestre da ordem dos Frades Menores.

O pontífice romano parece determinado a dar continuidade às reformas desejadas por Bento XVI e está a fazê-lo começando pelo interior da própria Igreja, demonstrando uma sabedoria e humildade importantes.como governo da Igreja e como meio de gestão que é, a Cúria Romana apresenta virtudes e defeitos. Tem sido criticada ao longo dos tempos devido a uma possível preocupação excessiva nas coisas materiais, no poder que possui enquanto órgão de Estado. De fato, o poder da Igreja não deverá ser encarado dessa forma, pois a sua doutrina e finalidade é seguir o ideário de Cristo e com o seu exemplo cativar todos os homens de boa vontade. É tempo de a Igreja estar ao lado do homem moderno, sem perder a sua identidade.

Quarta-feira passada, na audiência geral que celebrou na Praça São Pedro, o papa destacou o papel das mulheres como fundamental para transmitir a fé, lembrando que elas foram escolhidas para serem as primeiras testemunhas da Ressurreição de Cristo. Francisco ressaltou a importância da decisão, num tempo em que as mulheres não podiam dar testemunhos confiáveis, segundo as leis de então. Para o pontífice, as mulheres são impulsionadas pelo amor e sabem receber os anúncios com fé: creem e imediatamente transmitem, não guardam para si. a alegria de saber que Jesus está vivo, a esperança que enche os seus corações não se podem conter. Isso deverá ocorrer também em nossas vidas. Isso é belo, porque é um pouco a missão que têm as mulheres, as mães, as avós, de levar esse testemunho aos seus filhos e netos, acrescentou. Não sendo uma mensagem nova, é muito importante este olhar diferente sobre o papel da mulher na Igreja, um assunto cada vez mais atual.