«aclamai o Senhor porque ele é bom, porque a sua bondade permanece para sempre», diz-nos o refrão do salmo responsorial deste domingo
«aclamai o Senhor porque ele é bom, porque a sua bondade permanece para sempre», diz-nos o refrão do salmo responsorial deste domingo Celebramos mais um Domingo da Misericórdia, festa instituida pelo Papa João Paulo II de feliz memória. Nestes nossos dias em que todos nós precisamos de sentir a presença amorosa de Deus na nossa vida, perguntemo-nos o que significa a misericórdia de Deus para connosco. E podemos dizer imediatamente que a misericórdia é a compaixão de Deus para connosco, especialmente para com todos os pecadores que o reconhecem ser. a esta compaixão está unido o perdão dos pecados que Deus, com toda a alegria, concede ao pecador que se arrepende e confessa o mal que fez. Dizia Jesus: Há mais alegria no céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não precisam de conversão (Lucas 15, 7). No antigo Testamento podemos ver que a misericórdia de Deus tem, por assim dizer, duas qualidades: a compaixão de Deus para com as suas criaturas, especialmente para com as mais miseráveis; e a fidelidade de Deus às promessas que ele fez ao seu povo. a primeira, a compaixão, é um apego instintivo dum ser ao outro, apego este que se explica bem com o apego das entranhas duma mãe ao seu filhinho. Por outras palavras, a compaixão é a atração-ternura total que mora no coração (nas entranhas) duma mãe e que ela sente pelo seu filhinho. Quanto à segunda, a fidelidade de Deus, significa a piedade do Senhor para com o seu povo, piedade esta que faz com que Deus seja fiel às suas promessas ao seu povo numa bondade consciente, voluntária, intencional. Destas duas qualidades’ divinas, nasce o perdão de Deus ao pecador, por quem Jesus Cristo deu a sua vida na sua paixão e na cruz, para a retomar gloriosa, essa vida, na sua ressurreição. No Novo Testamento vemos tantas vezes como Deus, em Jesus Cristo, sente compaixão pelos miseráveis, por aqueles que não se podem defender sozinhos, os anónimos que não têm influência nenhuma nas decisões da sociedade. Tudo isto como uma mãe que não só sente ternura para com o fruto das suas entranhas, mas que é sempre fiel a este sentimento, mesmo quando tem de repreender o seu filho/a. Olhando para a situação dos indivíduos e das nações da humanidade, vemos que infelizmente estes sentimentos parecem não se traduzir, muitas vezes, em ações que aliviam as penas dos que sofrem. Mas nunca podemos generalizar, pois há muita gente que é mesmo capaz de se expor a grandes sacrifícios para ajudar os mais desprotegidos: são gente que se mantem atenta às inspirações que traz o Espírito Santo às suas consciências.