História de uma menina de 11 anos que insistiu com o padre para receber a primeira comunhão antes de morrer. O seu sofrimento e entrega à oração tocaram o coração de toda a aldeia onde vivia
História de uma menina de 11 anos que insistiu com o padre para receber a primeira comunhão antes de morrer. O seu sofrimento e entrega à oração tocaram o coração de toda a aldeia onde vivia a Verónica, que todos tratam por Vero, é uma menina de 11 anos, que ainda há pouco tempo começou a frequentar a catequese para a primeira comunhão. Mora numa aldeia a 25 quilómetros da igreja paroquial, e por isso não a conheço bem. Tendo de repente adoecido de um vírus não identificado, fica paralisada e sofre com frequência dores atrozes. Todas as vezes que vou à aldeia, faço-lhe uma visita. E vejo que há sempre cada vez mais gente à sua volta. Não se trata só das suas companheiras ou companheiros de escola, mas também jovens e adultos. São às dezenas. Fico admirado e pergunto em que é que consiste esta força de atração de uma menina de 11 anos. Os testemunhos são simples: a Vero é boa. a Vero está sempre a sorrir. a Vero tem uma palavra para cada um. a Vero reza por todos. Está-se bem ao lado da Vero. a Vero inspira serenidade. a Vero diz que gosta de nós e encoraja-nos a querer-nos bem. Fico no meu ceticismo. Coloco-me entre os sábios que acham difícil acreditar na sabedoria evangélica dos pequenos, na sabedoria da graça. a Vero insiste comigo que deseja receber a primeira comunhão antes de morrer. asseguro-lhe que continuará a viver e que o catequista virá a ensinar-lhe o catecismo. Curioso com tudo isto, visito-a ainda com mais frequência. aumentam as pessoas à sua volta. a sua insistência em querer receber a Eucaristia incomoda-me. Não cede, e desafia-me: Senhor padre, faça-me o exame, e depois decida. Não posso subtrair-me ao desafio. Serei eu a vencer. O que é que a Vero pode saber da Eucaristia? Marco o dia do exame. Faço numerosas perguntas armadilhadas. as suas respostas são simples, mas corretas. Deleito-me a atormentá-la: porque é que deveria ceder? Tenho que me render, mas mesmo assim não marco ainda o dia da primeira comunhão. Reflito e medito. Convenço-me de que o sofrimento ensina mais do que o catecismo. Convenço-me, como afirma Santo agostinho, de que existe um mestre interior. Foi dele que a Vero recebeu a instrução. Marco o dia para a primeira comunhão. É o dia do seu aniversário, e festa de Santa Inês. a quem lhe propõe vesti-la de branco a Vero responde: Mas o meu coração já está branco! a quem lhe fala de presentes, a Vero diz simplesmente: Basta-me Jesus! a quem se compadece dela pelo sofrimento, a Vero diz: ainda não é a cruz de Jesus! E sorri, sorri! Quando chego com a Eucaristia, antes de a receber, a Vero pede para adorá-la por alguns instantes. Convida todos a ajoelhar-se. Fá-los rezar e cantar. É toda sorriso e alegria, recolhimento e oração. Recebe a comunhão. Olho para ela, comovo-me e choro. Venceu-me!Passados poucos dias, a Vero celebra a sua Páscoa. Quando chego para fazer o funeral não acredito no que vejo. Nunca tinha visto uma multidão assim num funeral. as pessoas comentam: Está aqui toda a aldeia. Que mistério esta menina de 11 anos! Com a sua palavra, a sua oração e o seu sofrimento tocou e mudou o coração e a vida de todos.com a sua morte a aldeia ressuscitou. Multiplicou-se a solidariedade. Intensificou-se o empenho apostólico, e cada domingo é uma verdadeira Páscoa pela participação intensa e viva dos fiéis.