João Gil, ex-Trovante e ala dos Namorados, associou-se ao ano da Fé proclamado por Bento XVI e compôs uma Missa Brevis em latim, com base em textos litúrgicos. Em entrevista à Fátima Missionária, o músico revela onde foi buscar a inspiração
João Gil, ex-Trovante e ala dos Namorados, associou-se ao ano da Fé proclamado por Bento XVI e compôs uma Missa Brevis em latim, com base em textos litúrgicos. Em entrevista à Fátima Missionária, o músico revela onde foi buscar a inspiraçãoDescobriu a vocação para a música nos tempos em que era acólito, na Covilhã. Pisou centenas de palcos nacionais e internacionais, integrado em grupos musicais de sucesso, como os Trovante e ala dos Namorados. Conquistou discos de ouro e de platina.com 37 anos de carreira, decidiu voltar às origens. E resgatou das memórias a sonoridade conventual, a sensibilidade espiritual transmitida pela mãe e as horas que passou com o irmão a ouvir música clássica. Desta revisitação à infância, nasceu uma missa composta em latim.com a Missa Brevis, interpretada pelo grupo Cantate, João Gil espera voltar a conquistar o país e o mundo. Fátima Missionária É um homem de fé? João Gil acredito nas pessoas de bem, nas pessoas que não usam os outros para se promoverem, que não abusam dos outros para prevalecerem. acredito que há muito mais coisas que nos unem do que nos separam e essa união de boas vontades chama-se Deus. Não é uma figura de um homem só. Por isso é que se deve praticar a tolerância e o diálogo. Para mim, a ideia de Deus não é uma coisa vaga, é uma coisa de ação e de grande comprometimento com as causas sociais. FM Como nasceu a ideia de compor uma missa em latim? JG Eu tive uma educação religiosa e assumo o meu código genético cristão. Quando me ocorreu compor uma Missa Brevis, lembrei-me dos tempos em que acolitava, ainda muito criança, na Covilhã. Lembrei-me do meu irmão José alberto Gil, que me inundava os dias com enxurradas de Mozart e Bach, lembrei-me de minha mãe, pessoa de enorme sensibilidade que nos soube transmitir o bom senso e a compreensão do mundo espiritual. Foi um tempo decisivo para estarmos a falar da missa que eu compus. FM até onde pretende chegar com a Missa Brevis? JG Quero chegar a todo o mundo. Já fomos em imagem, através da RTP [com a transmissão em direto de uma eucaristia dominical a partir da Capela dos Missionários da Consolata, em Fátima], mas havemos de ir lá pessoalmente. a começar pelo Vaticano. FM a música pode ser um bom veículo para fortalecer o diálogo inter-religioso? JG a música é um ato litúrgico. É um mistério difícil de explicar, mas fazer música, organizar sons, só por si, significa a aproximação dos povos. Já andei muito pelo mundo com a ala dos Namorados e nós cantávamos em português. Ninguém percebia nada, mas sentia-se a alma de um povo. a música aproxima, significa paz e diálogo. FM Com tantos projetos musicais de sucesso, em que plano se situa este novo desafio? JG Isto é um patamar diferente. a música sacra é um compartimento onde sonhava entrar um dia. E o pretexto para entrar foi compor em latim, que exige um rigor diferente do português ou do inglês. Cada língua tem a sua melopeia ou a sua fonética e o latim obriga a um rigor muito grande e quando se trata de fazer música sacra obriga a esticar o músculo criativo.