O emprego, ou a falta dele, continuam na ordem do dia, tais as consequências graves que afligem famílias e indivíduos. as previsões de desemprego não param de aumentar, mas a realidade vai mais além
O emprego, ou a falta dele, continuam na ordem do dia, tais as consequências graves que afligem famílias e indivíduos. as previsões de desemprego não param de aumentar, mas a realidade vai mais alémJá não há qualquer setor social que escape ao desemprego, assim dizem os números de várias instituições e organizações ligadas ao fenómeno. Segundo dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) conhecidos esta semana, a taxa de desemprego referente a janeiro passado foi de 17,6%, sendo apenas ultrapassada pela Espanha e Grécia. Este aumento sucessivo do desemprego em Portugal está a levar ao desespero um número muito elevado de milhares de portugueses, criando diariamente novos pobres e atirando outros para limites impensáveis de sobrevivência. Famílias onde pai e mãe estão desempregados, tendo a seu cargo as despesas normais, que vão desde a casa e sua manutenção, a todos os outros compromissos – e ainda se tiverem filhos dependentes – como vão sobreviver? Já não dizemos viver, mas ao menos sobreviver. Para sermos mais corretos deveríamos perguntar antes: como estão a sobreviver?
Não é surpresa o desalento que passa transversalmente pela sociedade portuguesa e que está a causar novos desafios que configuram o desespero total, como o suicídio, por exemplo. Os números começam a ser arrepiantes. Portugal é o terceiro país da Europa onde o suicídio mais cresceu nos últimos 15 anos, estimando-se que morram mais de cinco pessoas por dia, revela um relatório europeu produzido pela aliança Europeia Contra a Depressão (EaaD), apresentado no passado dia 14. Perante a revelação dos últimos indicadores económicos avançados pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, o presidente da Cáritas Diocesana portuguesa, Eugénio Fonseca, manifestou desilusão, antevendo que o aumento do desemprego e a austeridade vão gerar mais pobreza. Estávamos na expectativa de que alguma coisa fosse melhor. Foi uma surpresa negativa, afirmou ontem, em Bragança. Perante este cenário, o presidente da Cáritas prevê que a pobreza vai aumentar porque tem uma relação muita direta com o desemprego e as instituições de solidariedade social vão ter mais dificuldades em dar respostas ao número de pedidos.
Embora a credibilidade dos nossos atuais governantes ande muito por baixo (a ultima sondagem da Universidade Católica para a RTP revela que quatro em cada cinco inquiridos dá nota negativa ao Governo), vamos acreditar que a lei de Bases da Economia Social – que estabelece o regime jurídico e as medidas de incentivo ao setor – e que o Parlamento aprovou sexta-feira passada, contribua para minorar os efeitos perversos da escalada recessiva em que estamos.com um apoio mais substancial às organizações que trabalham com os mais carenciados, talvez seja possível minorar carências mais prementes.
a esperança é a última a morrer, diz o provérbio que tem muito de verdade e nos deve confortar em momentos difíceis. É com esse espirito que devemos aceitar a eleição do novo papa Francisco. Em poucos dias de papado já deu para perceber que reside nele muito da esperança da Igreja universal e do mundo também. a explicação da escolha pontifícia de Francisco, fazendo referência a São Francisco de assis, o santo dos pobres: Francisco é o nome da paz, e foi assim que esse nome entrou no meu coração, revela a sua simplicidade e amor aos mais desfavorecidos. Foi ele que um dia disse: Um povo que não cuida das suas crianças e dos seus idosos é um povo em decadência. Estamos em sintonia com ele. Bem-vindo.