«O pior da crise ainda está para chegar», avisa Jorge Nuí±o Mayer, secretário-geral da Cáritas Europa, que antevê que a pobreza e o desemprego subirão nos próximos anos, em especial a pobreza infantil e o desemprego jovem
«O pior da crise ainda está para chegar», avisa Jorge Nuí±o Mayer, secretário-geral da Cáritas Europa, que antevê que a pobreza e o desemprego subirão nos próximos anos, em especial a pobreza infantil e o desemprego jovemOs alertas vindos de responsáveis pelas instituições de solidariedade social são cada vez mais frequentes, dado que a gravidade das diferentes situações não cessa de aumentar. a apresentação do relatório O Impacto da crise europeia – quarta-feira passada – conduzido pela Cáritas da Europa, resulta de um estudo sobre o impacto da crise e das medidas de austeridade em curso nos países mais severamente afetados, como a Grécia, Irlanda, Itália, Portugal e Espanha, e é um sério toque a rebate em relação à situação atual que se vive nestes países.

No que concerne a Portugal, as crianças em risco de pobreza já supera o meio milhão, o que reflete números de grandeza que não deveriam acontecer. afinal as crianças são um dos setores mais vulneráveis da sociedade. a pobreza infantil está sempre ligada à pobreza das famílias e, como cada vez mais famílias pedem ajuda à Cáritas, significa que isto está a converter-se numa situação estrutural, afirmou o secretário europeu da Cáritas.

De acordo com o estudo da Cáritas, houve um aumento generalizado dos níveis de pobreza nos países referidos, nomeadamente a pobreza infantil. Em Portugal, a taxa de pobreza já atingiu os 24,4% e a pobreza infantil os 28,6% (dados de 2011). São valores mais elevados do que a média da UE (24,2% e 27%, respetivamente). Muitas crianças encontram-se em estado de má nutrição e com fracasso escolar, podendo vir a tornar-se irrecuperáveis, salientou Jorge Nuno Mayer. O relatório destaca também o aumento do desemprego – 17,6% em Portugal, sendo a média europeia 10,6% -, em particular o de longa duração e entre os jovens (36,4% em Portugal e 22,8% na Europa). Os trabalhadores pobres são também referidos no relatório, com uma taxa de 10,3% em Portugal (mais uma vez superior à média europeia, que é de 8,7%), sendo que os mais atingidos são os trabalhadores com baixa qualificações.

Este relatório termina com recomendações não só à União Europeia, como aos governos e à sociedade civil, entre as quais se destacam: a criação de políticas para combater a pobreza infantil e o desemprego jovem; uma maior monitorização social; assegurar uma maior participação da sociedade civil; e um acompanhamento e apoio a pessoas em situação de necessidade. O estudo já foi apresentado ao Governo em reunião com o Ministro da Economia e da Segurança Social, de molde a sensibilizar o executivo em adotar políticas adequadas.

Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas portuguesa, referiu que, na segunda-feira passada, esteve reunido com a troika: Foi um encontro muito positivo, disse, avançando que notou uma maior sensibilidade quanto aos problemas das famílias portuguesas e uma maior preocupação em abrandar as medidas de austeridade. Não se pode pedir tanta austeridade quando a austeridade está a ser suportada pelas pessoas que já não aguentam mais e um exemplo está nos pensionistas portugueses que agora têm menos recursos porque lhes cortaram as reformas, disse ainda o presidente nacional da Cáritas.

O padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), entidade representativa de 4. 747 instituições de apoio e intervenção social em todo o país, vai mais longe e afirma que se o Estado não for social, então também não serve para mais nada. É importante que o Estado não se demita das suas funções, das suas responsabilidades. Pode é não ser o agente, aquele que faz fazer, havendo quem faça e o faça bem, há que apoiar, reconhecer, coordenador e suprir, quando não houver respostas, disse. Reconheceu ainda a necessidade de alguma ponderação, estudo, responsabilidade e bom senso nas reformas em curso. a isso, poderemos acrescentar que também é preciso coragem para as executar, coisa que parece estar ausente na ação dos governantes deste país.