O Evangelho do terceiro domingo da Quaresma pode quase parecer a abertura de um telejornal nacional. alguém, não se sabe quem, traz a Jesus as últimas novidades: o castigo que Pilatos impusera sobre alguns galileus
O Evangelho do terceiro domingo da Quaresma pode quase parecer a abertura de um telejornal nacional. alguém, não se sabe quem, traz a Jesus as últimas novidades: o castigo que Pilatos impusera sobre alguns galileusO objetivo dos mensageiros é colher o comentário ao episódio da parte de Jesus. Historicamente não é possível confirmar este episódio, no entanto, o historiador Flávio Josefo narra que Pilatos mandara matar alguns judeus que se tinham revoltado em Jerusalém. Não é possível, porém, saber se se trata do mesmo episódio. Igualmente, não é possível confirmar o outro caso que Jesus apresenta: a queda da torre de Siloé. Comentário de Jesus O texto quer concentrar-se no comentário que Jesus dá à notícia da abertura do Evangelho: o castigo dado por Pilatos a alguns galileus. Nesse comentário, Jesus adiciona um outro episódio que deverá ser interpretado da mesma forma. No fundo, o que está em causa, é a ideia que Jesus tem de recusar o modo de pensar da época. Jesus tira uma conclusão, bem diferente da dos seus conterrâneos: os que morreram nestes episódios não eram piores do que os outros. assim, Jesus recusa a chamada doutrina da retribuição, pela qual a pessoa era atingida por uma desgraça por causa dos seus pecados. Jesus vai mais além; não só recusa este modo de pensar, mas afirma que todos morrerão de forma semelhante, se não se converterem. Chega-se, assim, ao coração da mensagem deste evangelho: a conversão. Conversão Durante a Quaresma é habitual falar-se de conversão, uma palavra que parece ter ficado esquecida no vocabulário hodierno, tal não é a antipatia que gera na pessoa. Para ilustrar a sua mensagem e o convite que faz à conversão, Jesus conta a parábola da figueira. Uma parábola que não é fácil de entender. Um vinhateiro que vai procurar figos por três anos consecutivos, mas nunca consegue encontrar um único figo. Chega então à conclusão que é melhor cortar aquela figueira, pois está somente a consumir a terra, sem produzir. É interessante notar que é o vinhateiro que tem compaixão e quer dar mais uma oportunidade à figueira, propondo-se melhorar a terra em volta da figueira, na perspetiva de que esta venha a produzir figos. a parábola está claramente ligada ao tema da conversão. O que Jesus afirma é que esta vida que temos é o tempo em que Deus continua adubando para que possam surgir frutos, isto é, é tempo oportuno para a conversão. Deus oferece muitas oportunidades de conversão, que muitas vezes não são aproveitadas. Este tempo, é um convite a questionarmo-nos sobre os frutos que estamos a produzir. Num tempo de ritmo tão acelerado, a Quaresma traz uma proposta de redução do ritmo para poder olhar para o mais íntimo de nós.