«Eu vi o Santo Padre numa casa muito grande, de joelhos, diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar. Fora da casa estava muita gente e uns atiravam-lhe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias»
«Eu vi o Santo Padre numa casa muito grande, de joelhos, diante de uma mesa, com as mãos na cara, a chorar. Fora da casa estava muita gente e uns atiravam-lhe pedras, outros rogavam-lhe pragas e diziam-lhe muitas palavras feias» a frase citada é de Jacinta, beatificada por João Paulo II em 2000 – descrita nas memórias de Lúcia, também vidente de Fátima. É completada por outra: Coitadinho do Santo Padre! Temos que pedir muito por ele. Noutra ocasião, Jacinta confidenciou à Lúcia: Não vês tanta estrada, tantos caminhos e campos cheios de gente a chorar com fome, e não tem nada para comer? E o Santo Padre numa igreja, diante do Imaculado Coração de Maria, a rezar? E tanta gente a rezar com ele?.

Sem pretendermos criar qualquer tipo de sensacionalismo ou polémica, vamos falar um pouco da renúncia de Bento XVI, sobre uma vertente diferente daquela que tem sido apresentada, ou seja, à luz das aparições de Fátima e suas revelações.começamos por enunciar as palavras de Jacinta, a pastorinha a quem Nossa Senhora apareceu em 1917 e que mais tarde haveriam de ser analisadas e decifradas à luz da fé pelo então Cardeal Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé. a análise permitiu o enquadramento e aceitação por parte de João Paulo II de que o desfecho do atentado de 13 de maio de 1981, em que foi atingido por dois tiros na Praça de São Pedro, tivera a intervenção salvadora de Nossa Senhora de Fátima.

Nessa data já decorria o processo da canonização dos pastorinhos Jacinta e Francisco, que teve o seu epílogo a 13 de maio de 2000 em Fátima, com a presença de João Paulo II. São dele estas palavras: aqui em Fátima, onde foram vaticinados estes tempos de tribulação, pedindo Nossa Senhora oração e penitência para abreviá-los, quero hoje dar graças ao Céu pela força do testemunho que se manifestou em todas aquelas vidas. E desejo uma vez mais celebrar a bondade do Senhor para comigo, quando, duramente atingido naquele dia 13 de maio de 1981,fui salvo da morte. Exprimo a minha gratidão também à beata Jacinta pelos sacrifícios e orações oferecidas pelo Santo Padre, que ela tinha visto em grande sofrimento.

Vamos agora refletir um pouco sobre a renúncia do Papa, que será concretizada em 28 de fevereiro próximo, motivada pela sua saúde frágil, como afirmou. De forma indireta, a Santa Sé confirmou que a fragilidade não vinha apenas da sua saúde: O Papa é uma pessoa de grande realismo e conhece os problemas e as dificuldades, disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. a renúncia foi uma mensagem à Cúria, mas também a todos nós, disse. Foi um ato de humildade, sabedoria e responsabilidade. No primeiro discurso público após a renúncia, o Papa disse que tomou a decisão de abandonar o pontificado em plena liberdade, pelo bem da Igreja. E acrescentou que orou arduamente e examinou a sua consciência, antes de tomar a decisão. Na audiência semanal das quartas-feiras no Vaticano, o Papa pediu com a voz embargada: Continuem a rezar por mim, pela Igreja e pelo futuro Papa.

Qual a possível ligação entre a renúncia papal, João Paulo II e os acontecimentos de Fátima? a tentativa de assassinato daquele, em 1981, foi por arma bélica. Mas não é a única forma de matar. Bento XVI herdou do seu antecessor problemas graves no que respeita aos membros da Igreja, tais como: pedofilia, homossexualidade, questões financeiras e de poder dentro da própria instituição, o que originou críticas e ataques dentro e fora, para além de outros de ordem doutrinal e ética. Segundo parece, o Papa tentou introduzir mudanças que sofreram contestação, o que poderá ser também uma das razões do abandono. a oração que o Papa pediu aos fiéis para ele, para a Igreja e futuro Papa está em sintonia com o pensar e ação da beata Jacinta em relação ao chefe da Igreja, independentemente da pessoa que possa ocupar o lugar. Não duvidemos! a Igreja tem grandes desafios pela frente e necessita, cada vez mais, de dar exemplo de caridade, amor e compreensão do ser humano. afinal não é mais que o cumprimento da vontade do Cristo Redentor.