«Não desvieis de mim o vosso rosto, Senhor. Creio firmemente vir a contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos!», ouvimos cantar no Salmo Responsorial

«Não desvieis de mim o vosso rosto, Senhor. Creio firmemente vir a contemplar a bondade do Senhor na terra dos vivos!», ouvimos cantar no Salmo Responsorial
Será o nosso Deus um Deus que gosta de jogar às escondidas? Em sentido figurado, parece que sim. Mostrou-se Ele através dos tempos de muitas maneiras, através da natureza por ele criada e por meio da palavra dos profetas, sem nunca se mostrar como ele verdadeiramente é. Nos últimos tempos falou-nos por meio de seu Filho que é o esplendor da sua glória e a imagem fiel da sua substância (Hebreus 1, 2-3). Mas este Filho, que é a imagem fiel do Pai, escondeu a sua divindade debaixo da carne mortal que assumira no seio da Virgem Maria. a pontos de, durante a sua paixão, o vermos sem aspeto atraente, como alguém cheio de dores, reputado como um leproso. (cf Isaías 53, 2-4). E depois vem o Evangelho de domingo mostrar-nos a realidade na Transfiguração de Cristo: Enquanto Jesus orava, tornou-se o aspeto do seu rosto resplandecente como o sol, e as suas vestes ficaram duma brancura refulgente (Lucas 9, 29: Mat 17, 2). De tal modo que o apóstolo Pedro, que estava presente, gritou: Mestre, que bom é estarmos nós aqui! (v. 33). Nesta manifestação, Cristo levanta um pouquinho o véu da sua divindade, mostra aos três apóstolos um pouco da luz admirável que possui, ele em quem habita realmente toda a plenitude da divindade (Colossenses 2, 9). E do céu veio uma voz que dizia: Este é o meu Filho muito amado no qual pus o meu encanto, escutai-o (Mat 17, 5). Durante esta Quaresma, deixemo-nos hipnotizar espiritualmente por esta luz brilhante de Cristo que nos dá a sua própria vida. Porque quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou o seu Filho afim de recebermos a adoção de filhos, e mandou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que em nós clama: abba! – Pai’ (Gálatas 4, 4-6). Na cacofonia de tantas opiniões destrambelhadas dos nossos dias, há cristãos que perdem o norte de Cristo, ficam indecisos, ou mesmo abandonam a verdade que receberam no Batismo. Continuemos fiéis ao Senhor que nos ama, ao Pai das luzes(Tiago 1, 17) que quer continuamente encher-nos da sua verdade. Cheios de Cristo poderemos mais facilmente ajudar tantos outros indivíduos que precisam do conforto e da consolação que é Cristo.