O dia a dia de mulheres marfinenses que trabalham na produção de carvão está retratado numa exposição no Museu de arte Sacra e Etnologia, em Fátima. através desta mostra fotográfica, é possível conhecer de perto uma realidade que sustenta muitas famílias
O dia a dia de mulheres marfinenses que trabalham na produção de carvão está retratado numa exposição no Museu de arte Sacra e Etnologia, em Fátima. através desta mostra fotográfica, é possível conhecer de perto uma realidade que sustenta muitas famíliasDamas de carvão. Este é o nome de uma exposição fotográfica inaugurada este sábado, 16 de fevereiro, no âmbito da 23. a Peregrinação da Família Missionária da Consolata. a mostra, que retrata o dia a dia das carvoeiras da Costa do Marfim, está patente no Museu de arte Sacra e Etnologia dos Missionários da Consolata, em Fátima, até dia 31 de março. as fotografias, de ana Paula Ribeiro, transportam os visitantes para San Pedro, exibindo o rosto, as tarefas árduas, o ambiente, os perigos, o cansaço e a nobreza de dezenas de mulheres que produzem carvão vegetal, com os desperdícios de uma serração, para mais tarde venderem. Estas carvoeiras, que trabalham todos os dias da semana do nascer ao pôr do sol, executam as suas tarefas descalças ou com chinelos sobre terrenos escaldantes, onde existem densas colunas de vapor. No local, cheira a fumo e a madeira queimada explicou a fotojornalista, sublinhando que estas trabalhadoras têm uma vida muito dura. Do contacto com a população local, ana Paula Ribeiro recorda a simpatia das crianças sempre a querer tocar na pele dos visitantes. Uma senhora pediu-me para mexer no meu cabelo porque nunca tinha tocado no cabelo de uma branca, conta. além de ana Paula, também Luís Maurício Guevara, padre missionário da Consolata, e Daniel Ferreira, designer gráfico, estiveram 15 dias na Costa do Marfim, onde percorreram dois mil quilómetros, guiados por Pietro Villa, sacerdote missionário da Consolata italiano. Luís Maurício, explica que todo o processo que envolve a produção de carvão vegetal faz mal à saúde, prejudicando os pulmões das carvoeiras. No entanto, lembra, as tarefas desempenhadas por estas mulheres, contribuem para que estas se tornem autosustentáveis. Maria amélia aguiar, da congregação das Servas da Sagrada Família, visitou esta manhã a exposição. Para a religiosa, as fotografias mostram mulheres que levam uma vida de sofrimento. Não vejo um futuro sorridente para estas mulheres. Têm uma vida dura e nunca conheceram outra, refere. Vivemos num mundo de desigualdades e esta realidade choca-nos, sublinha. Nos rostos das carvoeiras nota-se um sofrimento, no entanto, elas mantêm o sorriso frisa.