Recentemente foi beatificado um missionário francês, que amou profundamente o povo da África do Sul que ele evangelizou durante largos anos
Recentemente foi beatificado um missionário francês, que amou profundamente o povo da África do Sul que ele evangelizou durante largos anosTrata-se de Joseph Gérard, um missionário oblato de Maria Imaculada, falecido em 1914. Chegou à África austral com apenas 22 anos e nunca mais regressou à sua pátria. Durante cerca de oito anos trabalhou afincadamente entre o povo Zulu mas sem obter grandes resultados, humanamente falando. até o próprio fundador, Eugénio de Mazenod, lhe escreveu para o consolar e encorajar: O tempo chegará quando a graça de Deus produzir uma espécie de explosão e a Igreja crescer. E tinha razão. Essa explosão da Igreja foi uma realidade sobretudo entre os Basotho que ele evangelizou com a sua santidade e o seu estilo perpassado de amor pelas pessoas. O padre Gérard foi sempre um excelente comunicador. Sabia dar tempo ao diálogo com as pessoas, em qualquer lugar que as encontrasse. Tinha sempre uma palavra de conselho e de encorajamento para todos. Dizia ele: Há um segredo para se fazer amar: é amar! Isto vale também para aqueles que não creem como os Basotho ou os Metebele. Para convertê-los é preciso amá-los, amá-los de todas as maneiras, amá-los sempre. Deus quer que façamos o bem às pessoas, amando-as. O mundo pertence a quem o amar e lhe der prova disso. O cavalo era o seu meio de transporte preferido neste país de montanhas e vales profundos. Conta-se que, quando o missionário morreu, o cavalo de que se servia para as visitas às aldeias da missão foi vendido a outro proprietário. Mas este bem depressa o restituiu à missão. Era impossível utilizá-lo, porque sempre que esbarrava numa pessoa parava imediatamente diante dela, habituado como estava com o seu antigo dono que se entretinha longamente a falar com as pessoas que encontrava pelo caminho. É esta a raiz de toda e qualquer inculturação: sabermos parar para ouvirmos as pessoas, para escutá-las por dentro, esvaziando-nos de tudo aquilo que pode impedir que elas entrem em nós com as suas alegrias e as suas dores. É este o modo melhor para entrar na alma, na cultura, na mentalidade, nas tradições e costumes de um povo, fazendo emergir as sementes do Verbo de Deus. Foi esta, aliás, a metodologia missionária dos filhos do beato allamano. Era isto o que ele entendia dizer quando pedia aos seus missionários que se africanizassem, que procurassem falar bem as línguas dos povos a evangelizar, para compreender bem a sua cultura, sempre numa atitude de respeito pelas pessoas.