Um estudo recente da Kantar Worldpanel indica que 27% dos lares portugueses não conseguem comprar bens essenciais. Os países europeus não escapam à crise e o alerta da austeridade excessiva vem agora do presidente francês, François Hollande
Um estudo recente da Kantar Worldpanel indica que 27% dos lares portugueses não conseguem comprar bens essenciais. Os países europeus não escapam à crise e o alerta da austeridade excessiva vem agora do presidente francês, François Hollande O estudo da Kantar, que avalia o impacto da crise em Portugal, revela que os portugueses têm agora mais consciência quando compram, fazendo-o com mais racionalidade.como as dificuldades aguçam o engenho, uma das consequências da crise é que se tomam mais refeições em casa. Por outro lado, uma boa parte daqueles que trabalham longe de casa recorrem à marmita, o que equivale a dizer que levam as refeições para o local de emprego, procurando evitar gastos mais onerosos. O facto de retornar aos hábitos das décadas de 50/60 é elucidativo dos índices económicos em que já estamos a viver, ou seja em regressão acelerada.

O estudo a que aludimos merece um olhar mais atento ainda noutros aspetos. Na avaliação feita, verifica-se que a crise não é sentida da mesma forma pelos lares portugueses. O trabalho é segmentado em quatro grupos: Outsiders, que representam 0,6% dos lares e não sentem a crise e sentem que não precisam de economizar; os Interiores que representam 16% dos lares não sentem a crise de momento, mas economizam por precaução. ainda os Urbanos, que sentem um pouco a crise e cuidam mais das despesas não essenciais, representando 57% da população portuguesa e, por fim, os Impactados – 27% dos lares e que afirmam sentir a crise e ter dificuldades em cobrir as necessidades essenciais. Este último valor é superior aos 18% de pobres (limiar da pobreza) indicados pelo INE (Insituto Nacinal de Estatísitca) para 2011 e dá uma melhor ideia da dimensão e do impacto das presentes dificuldades.

apesar das diferenças entre os vários grupos, fica claro que está a desenhar-se um novo padrão de consumo para o conjunto dos lares de Portugal Continental, que é mais contido, refletido e racional, e que poderá ser considerado o novo normal, que irá vigorar nos próximos anos. Este novo padrão de consumo traduz-se na procura sistemática de opções mais em conta, e sobretudo em mais consumo alimentar em casa, escolhendo produtos frescos e reduzindo as categorias menos essenciais. a Kantar perguntou aos portugueses inquiridos quando pensam que esta crise vai acabar. Para a grande maioria, 76% dos lares, a crise acaba em três anos, portanto em 2015. Há no entanto pessoas mais otimistas que julgam que a crise acaba já dentro de um ano, portanto no final de 2013 ou 2014. a resposta maioritária é Sim, mas em 2015. a conjuntura atual altera o comportamento de consumo, como demonstra a informação do painel de lares, mas aprofundando o tema verificamos que 40% dos lares fazem comida em casa para levar para fora. Se compararmos com o ano de 2009, constatamos que há um aumento de 11%, dado que naquele ano a percentagem dos lares que tinham esse hábito era de 29%.

a austeridade excessiva poderá condenar a Europa? Na opinião de François Hollande, assim poderá acontecer, juntando-se dessa forma a outras personalidades com responsabilidades na União Europeia que perfilham novo percurso para os caminhos da austeridade. Sendo o desemprego talvez o maior problema europeu, nessa perspetiva há necessidade de acautelar o excesso de austeridade que está a ser aplicado em alguns países, como o caso português. Ficam as palavras do presidente francês quanto às medidas de consolidação: Devem ser adaptadas às situações nacionais e aplicadas com discernimento quanto à sua duração, senão condenamos a Europa à austeridade sem fim e eu recuso isso. Poupar dinheiro sim, enfraquecer a economia, não, afirmou Hollande no Parlamento Europeu.