Bento XVI condenou a crescente desigualdade entre ricos e pobres. Na sua mensagem dirigida ao Mundo no dia mundial da Paz, falou ainda da «prevalência de uma mentalidade egoí­sta e individualista, revelada também pelo capitalismo financeiro desregulado»
Bento XVI condenou a crescente desigualdade entre ricos e pobres. Na sua mensagem dirigida ao Mundo no dia mundial da Paz, falou ainda da «prevalência de uma mentalidade egoí­sta e individualista, revelada também pelo capitalismo financeiro desregulado» a pobreza continua a ser um flagelo, não apenas no nosso país, mas em todo o mundo, daí não surpreender que o Santo Padre acolha, e pugne, de um modo especial pelos mais desfavorecidos. O problema da pobreza não diz respeito somente aos tempos modernos. Pelo contrário é uma situação de longa data. Sempre houve pobres – os carecidos de bens materiais – e continuará a haver, assim como sempre existiram ricos e mais haverá. Cabe a cada um de nós lutar para que os pobres sejam cada vez menos, minorando as suas necessidades. Há um ditado que diz: Casa onde não há pão, todos ralham e ninguém tem razão. E é verdade! a carência de algo traz consigo a insegurança e a ausência de paz tem muito a ver com situações de necessidade, mas também de injustiça.

O nosso país tem dos maiores fossos entre ricos e pobres. Os últimos estudos reportam-se a 2009, último ano para o qual existem estatísticas oficiais sobre a distribuição do rendimento em Portugal. atualmente, mantem-se como um dos mais desiguais da União Europeia, aponta o estudo Desigualdade Económica em Portugal. a evolução da desigualdade está intimamente associada à evolução dos rendimentos das famílias mais pobres em Portugal, graças à contribuição das políticas sociais que viram o seu papel de redução da desigualdade aumentar fortemente e a uma evolução dos rendimentos que permitiu uma distribuição mais equilibrada. Entre 1993 e 2009, a proporção do rendimento total auferido pelos cinco por cento da população mais pobre duplicou.

O Boletim Económico de inverno do Banco de Portugal, publicado no passado dia 15, tem um artigo da autoria de Nuno Alves, do departamento de Estudos Económicos do Banco de Portugal (BP), que analisa a redistribuição do rendimento em Portugal e na União Europeia. Nele é dito que Portugal apresenta um dos mais elevados níveis de desigualdade do rendimento na União Europeia. O impacto das prestações em dinheiro, na diminuição das desigualdades, é ligeiramente inferior à média europeia. O autor avaliou a eficiência redistributiva das prestações sociais em dinheiro, nos vários países da União Europeia, sublinhando que estas prestações incluem todas as transferências em dinheiro, recebidas pelos cidadãos ou famílias, relativas a desemprego, doença, acidente, invalidez, exclusão social, educação ou habitação. Portugal apresenta um dos mais elevados níveis de desigualdade do rendimento na União Europeia. a desigualdade é particularmente acentuada no rendimento base e na mediana superior da distribuição do rendimento – e um grau de redistribuição, por via das prestações em dinheiro e dos impostos sobre o rendimento, próximo da média europeia, lê-se no artigo.

Por outro lado, no que diz respeito ao sistema de impostos, Nuno Alves sublinha que este tem sempre um papel fundamental, no que diz respeito ao financiamento do instrumento mais poderoso de combate às desigualdades no longo prazo: o investimento em educação. Numa sociedade com uma desigualdade excessiva, como a portuguesa, existe necessariamente uma discrepância acentuada entre quem sustenta o pagamento de impostos e quem mais beneficia das prestações sociais em dinheiros. O investigador baseia-se nos dados de 2010 da EU-SILC, as estatísticas europeias sobre rendimentos e condições de vida. É oportuno lembrar que as consequências derivadas do Orçamento de Estado de 2013 vão agravar ainda mais esta desigualdade para com os mais carenciados, caso nada seja feito para alterar determinados pressupostos nele incluídos.