as pessoas vulneráveis têm uma maior probabilidade de cometerem atos ilí­citos. Toxicodependentes e alcoólicos «estão no fio da navalha para o crime» e, em vez de serem «diabolizados», precisam de ser «ajudados», sublinhou João GonçAlves
as pessoas vulneráveis têm uma maior probabilidade de cometerem atos ilí­citos. Toxicodependentes e alcoólicos «estão no fio da navalha para o crime» e, em vez de serem «diabolizados», precisam de ser «ajudados», sublinhou João GonçAlvesOs sem-abrigo precisam de ser ajudados porque estão muito próximos de poderem, porventura, cometer um ilícito, referiu João GonçAlves, sacerdote e Coordenador Nacional da Pastoral Penitenciária. Segundo este responsável, os toxicodependentes e os alcoólicos, por exemplo, precisam de ser tratados de modo muito especial porque estão no fio da navalha para o crime.

Em vez de diabolizarmos ou de afastarmos do nosso meio os toxicodependentes, talvez seja uma boa possibilidade ajudá-los, frisou. À margem do programa do 9. º Encontro Nacional da Pastoral Penitenciária, que termina este sábado, 26 de janeiro, João GonçAlves disse à Fátima Missionária que a reinserção social é um factor que não pode ser negligenciado.

Se as pessoas saem de uma prisão, mas não são imediatamente reinseridas, voltam ao crime. Por isso, adiantou, as recaídas podem existir e até subir se nós não fizermos um trabalho de reinserção social, alertou. a sociedade põe uma marca na pessoa que esteva na cadeia. Vai ser sempre um ex-recluso, lamentou o sacerdote, acrescentado que esta é uma característica, que, infelizmente, as pessoas ainda não foram capazes de ultrapassar.

a sociedade tem de acolher os ex-reclusos, porque são cidadãos, referiu João GonçAlves. O coordenador da Pastoral Penitenciária sublinhou que uma pessoa que está na cadeia continua a ser cidadão de pleno direito, com toda a sua dignidade. aludindo à assistência espiritual realizada nas prisões, o sacerdote explicou que há pessoas que procuram assistência para a sua fé, e outros, referiu, acabam por experimentar.

Nos estabelecimentos prisionais, os padres são sempre vistos como ombros amigos. Tal acontece porque, de acordo com João GonçAlves, o sacerdote escuta e não repete o que ouve. O primeiro passo para a libertação, explicou este responsável, é a aceitação do erro cometido. É como quem cortou um dedo ou perdeu um braço. O ser humano tem de se reconciliar com essa perda senão vive sempre revoltado contra a perda da liberdade, disse.