O secretário-geral do PS, antónio José Seguro afirmou ontem em Coimbra que os socialistas querem que os portugueses voltem a «acreditar na Política» e «nos políticos», não apenas por palavras, mas com atos
O secretário-geral do PS, antónio José Seguro afirmou ontem em Coimbra que os socialistas querem que os portugueses voltem a «acreditar na Política» e «nos políticos», não apenas por palavras, mas com atosEm primeiro lugar devemos atender como e em que circunstâncias foram produzidas tais afirmações. O responsável do PS encerrava uma sessão conjunta dos grupos de trabalho do Laboratório de Ideias e Propostas para Portugal (LIPP) que teve lugar na Escola Básica e Secundária da Quinta das Flores, em Coimbra. O que é o LIPP, quando nasceu e qual a finalidade? a apresentação ocorreu, com pompa e circunstância à boa maneira Socrática, em finais de fevereiro de 2012, concebida e organizada pelo PS. Tem um conselho coordenador que é composto por nove membros. a finalidade é de recolher contributos para a elaboração do programa político deste partido até 2024. Será baseado nas ideias e propostas recebidas que o partido poderá avançar para a conquista das eleições para o Parlamento em 2015.

Na apresentação do LIPP em 2012, antónio José Seguro afirmou, entre outras coisas o seguinte: O que hoje iniciamos juntos é uma nova caminhada rumo a 2024. Uma caminhada onde cada pessoa conta. Onde cada ideia vale. O caminho que escolhemos é um caminho exigente. Temos consciência disso. É por isso que começamos desde já. Temos o dever de ir mais longe. Temos o direito de voltar a sonhar. Quando cada um de nós sonha, não passa de um sonho: Quando todos nós temos o mesmo sonho algo está a mudar. À entrada desta sessão cada um de nós escreveu o sonho que quer para Portugal. Eu escrevi o meu que aqui partilho convosco: Um País onde cada pessoa se sinta bem e feliz! É este o nosso compromisso! Construir um Portugal mais próximo dos nossos sonhos!. Se repararmos, sonhar é o verbo mais utilizado por este político naquele discurso, o que a meu ver tem todo o cabimento, se lhe acrescentarmos o sentido da obtenção do poder pessoal e/ou partidário.

agora vamos ao discurso de encerramento proferido em Coimbra. Referindo-se à manifestação de 15 de setembro passado, considerou haver sido uma manifestação contra o governo, essencialmente contra a sua política e contra a TSU (Taxa Social Única), mas também foi uma manifestação de desilusão de milhares e milhares de portugueses, em relação aos partidos políticos, em relação à forma como se faz política em Portugal, acrescentou. Para Seguro é preciso entender isso e dar razão aos portugueses, para voltarem a acreditar na política, nos políticos, mas não com palavras, com atos, com uma nova forma de relacionamento com eles.

E é aqui que a porca torce o rabo, senão vejamos. Para dar razão aos portugueses para acreditar na política e nos políticos é necessário alterar mentalidades e comportamentos dos ditos políticos e o que vemos? Há muitos anos a esta parte e mesmo após a citada manifestação de setembro passado isso verificou-se? Podemos responder, sem receio de errar, que tal não aconteceu, pelo contrário, o refinamento do discurso político é ainda mais retórico, tal a desmedida ânsia do poder (daqueles que o detêm e dos que o pretendem).

Uma das vertentes em que o secretário-geral do PS assenta o sonho é na cultura dita democrática e ética do poder. Disse que essa ética exige cumprir o que se promete e ter a humildade de dizer sempre a verdade e de nunca prometer aquilo que sabemos, de antemão, que não podemos cumprir. Eis o grande problema de todos os partidos, não excluindo o PS, engendram os programas políticos (e com ele ganham as eleições) e depois na prática fazem o que muito bem entendem e que raramente é em benefício do povo. a pergunta que deixo é simples. Olhando para a prática deste político, desde que assumiu o seu cargo atual até este momento, estará a ser sincero? Enquanto não houver verdade, rigor e competência no exercício da política, poucos podem acreditar nos políticos. Terão que ser os políticos a fazer o exame de consciência e emendar o que leva ao seu descrédito e não o contrário, como pede José Seguro.