Os cristãos precisam de ultrapassar o preconceito de que existem linhas que os separam dos outros crentes, ou até dos ateus, e avançar para uma forma mais interventiva de tornar o mundo mais humano, sugeriu Teresa Toldy, em Fátima
Os cristãos precisam de ultrapassar o preconceito de que existem linhas que os separam dos outros crentes, ou até dos ateus, e avançar para uma forma mais interventiva de tornar o mundo mais humano, sugeriu Teresa Toldy, em Fátima Existe um nós e um eles para os cristãos? No entender de Teresa Toldy existe. Segundo a professora na Universidade Fernando Pessoa e investigadora do Centro de Estudos Sociais (CES) da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, os cristãos têm tendência para construir a realidade a partir desta dicotomia. E, por vezes, esquecem-se que todos habitam o mesmo mundo, independentemente da religião que professam, e que é nesse espaço que devem intervir para o tornar mais humano. O que me parece é que nós, os cristãos, tendemos a estabelecer linhas de divisão e a ver a realidade numa dicotomia entre o nós e o eles [de outras religiões], quando o importante é percebermos que vivemos todos no mesmo mundo, e que é nessa realidade que temos que estar presentes e somos chamados a intervir. Não são os cristãos que têm o Deus e o Espírito Santo no bolso, afirmou a investigadora, este sábado, 19 de janeiro, em mais uma sessão do ciclo de Conversas Contemporâneas da Consolata. Para Teresa Toldy, o fundamental é que cada cristão consiga perceber em que medida pode contribuir com a sua fé para um mundo melhor. Mesmo acreditando na Vida Eterna, ela não é uma segunda edição da que já vivemos. Só temos uma vida para viver e o ideal é vivê-la intensamente e com convicção. Ou seja, deve haver mais participação cristã na vida pública, desde a política ao associativismo, pois é esse o espaço de construção da realidade e de uma humanidade mais humana, adiantou a docente universitária. Convidada a dissertar sobre a missão ad Gentes nos tempos de hoje à luz do Vaticano II, Toldy realçou que os vários documentos produzidos no Concílio ainda hoje são inspiradores para a renovação da Igreja, pois convidam a descobrir na história da humanidade os sinais da presença de Deus. E alertou para o perigo do cristianismo eurocêntrico, um fenómeno que não corresponde à realidade e que pode traçar mais uma linha perigosa na procura da convergência de valores. a segunda edição do ciclo de Conversas Contemporâneas Consolata, encerra domingo, 20 de janeiro, com um testemunho sobre a Igreja Ministerial em Moçambique, a partir das 09h30, no Centro Missionário allamano. Estarão presentes o missionário português Diamantino antunes e o professor universitário e ex-presidente da Comissão Nacional de Eleições de Moçambique, Brazão Mazula. após a sessão realiza-se uma eucaristia celebrativa da Fundação dos Institutos.