Tiago Mendes abriu o segundo ciclo de conferências «Conversas Contemporâneas Consolata» onde referiu que os menores maltratados têm «maior probabilidade» de ter maus resultados escolares, e deu conta de um conjunto de factores que contribuem para isso
Tiago Mendes abriu o segundo ciclo de conferências «Conversas Contemporâneas Consolata» onde referiu que os menores maltratados têm «maior probabilidade» de ter maus resultados escolares, e deu conta de um conjunto de factores que contribuem para issoas crianças que sofrem maus-tratos têm algum insucesso escolar, ou têm uma maior probabilidade de ter maus resultados na escola, referiu este sábado, 19 de janeiro, Tiago Mendes, presidente da associação Crianças da Vila, na primeira sessão do ciclo de conferências Conversas Contemporâneas Consolata. Na opinião do psicólogo clínico, estes casos acontecem porque os menores estão muito preocupados com as suas famílias de origem e não sabem se os adultos são pessoas de confiança.

Todo este conjunto de preocupações, faz com que as crianças e os jovens tenham menos capacidade de estarem atentos nas salas de aulas, assim como para poderem ouvir outras pessoas a explicarem a matéria. Tal acontece porque emocionalmente estão muito afetados pelas experiências que já viveram.

Tiago Mendes considera que a relação destes menores com os seus professores é desafiante. Por vezes os jovens olham para o professor como uma figura de autoridade que lhes faz recordar, o pai que, provavelmente, os mal tratou, ou outras figuras de autoridade no passado com os quais eles tiveram uma relação problemática. Portanto, acrescentou, estar numa sala de aula, para eles, é algo de muito difícil e complexo, disse, no Centro Missionário allamano, em Fátima.

Referindo-se aos cuidadores individuais, como os filhos que tomam conta dos seus pais que padecem de doenças como o alzheimer ou o Parkinson, por exemplo, o psicólogo disse que esta é uma atividade complicada. Por muito boa intenção que as pessoas tenham, e por muito amor que tenham pelos seus pais, às vezes, é muito desgastante e [os cuidadores] precisam de ser apoiados, sublinhou. Cuidar dos outros é sempre exigente, e é preciso pensar como é que se cuida dos cuidadores, destacou.

Tiago Mendes, licenciado em Psicologia Clínica e doutorando do Centro de Estudos da Universidade de Essex, lida diariamente com as equipas que trabalham com crianças em perigo. À Fátima Missionária, o psicólogo explicou que os profissionais que trabalham com os menores em risco enfrentam dificuldades todos os dias. É difícil de conseguir gerir emocionalmente o trabalho com os jovens, com os quais a relação é muitas vezes tensa. Precisam de muito apoio, mas, por outro lado, parece que resistem a essa ajuda, explicou.