No Haiti, campos de desalojados abrigam milhares de pessoas que perderam as suas casas e os seus bens, depois do sismo de 2010. Nestes locais, vários técnicos apoiam as vítimas e lutam para que estas pessoas consigam construir uma nova casa
No Haiti, campos de desalojados abrigam milhares de pessoas que perderam as suas casas e os seus bens, depois do sismo de 2010. Nestes locais, vários técnicos apoiam as vítimas e lutam para que estas pessoas consigam construir uma nova casaTrês anos depois do terramoto que devastou Port-au-Prince, no Haiti, continuam as tentativas para dar assistência aos que vivem em campos. as equipas que trabalham nestes locais lutam diariamente para que os desalojados consigam encontrar ou construir novas casas, e alcançar meios de subsistência. Rozette Roseau é um exemplo de um caso bem sucedido. a viver numa tenda há dois anos, tem agora uma nova casa. Já terminei de empacotar as minhas coisas. Tudo o que falta é deitar abaixo a tenda, disse, citada pelos serviços de comunicação da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP).
Natural de Jeremie, um distrito no sudeste do Haiti, Rozette Roseau mudou-se para Port-au-Prince nos anos 90 à procura de trabalho e de uma vida melhor. Mãe de dois rapazes, ganhava a vida a lavar roupa e a vender água nas ruas. Quando o terramoto de janeiro de 2010 atingiu a cidade, Rozette Roseau foi uma das milhares de pessoas que perderam as suas casas e bens. Sem nenhum sítio para se abrigar, Rozette e os seus dois filhos deslocaram-se, como tantos outros, para o Centro Dadadou, em Delmas 3, Port-au-Prince.
Sem nenhum trabalho, nem um meio para se sustentar a si e aos seus filhos, Rozette contava com a solidariedade da família e dos amigos. Sinto-me como se estivesse a viver outra vez, afirmou, enquanto se sentava na sua nova casa. agora, não tenho que me preocupar se chove em cima de nós, ou com ladrões a destruírem a minha tenda e a levarem as poucas coisas que tenho, referiu.
Rozette recebeu também um pequeno subsídio da Cruz Vermelha, que funciona como meio de subsistência.com este apoio, a mulher foi capaz de criar um pequeno negócio de venda de cosméticos, e os seus filhos voltaram para a escola depois de quase dois anos sem a frequentarem. Devido a estes apoios, Rozette está a conseguir dar os seus passos pararestabelecer a vida que tinha antes de 12 de janeiro de 2010. Se não fosse pela ajuda da Cruz Vermelha, creio que ainda estaria a viver numa tenda no campo. Não porque queria, mas porque não tinha hipótese, disse.
alexandre Claudon, representante no país da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho (FICV), explicou que o terramoto do Haiti foi uma das emergências mais complexas dos últimos tempos. as pessoas podem perguntar-se o porquê de tanta gente ainda se encontrar desalojada, mas questões básicas como determinar a quem pertence o terreno onde podemos construir, e como pessoas desempregadas podem pagar as suas rendas, continua a complicar seriamente o processo de reconstrução, lamentou.
Segundo dados da CVP, desde o terramoto de 2010, o número de pessoas a viver em campos desceu, aproximadamente, de 1. 5 milhões para cerca de 350 mil. O Movimento Internacional da Cruz Vermelha e Crescente Vermelho apoiou cerca de 40 mil famílias (aproximadamente 200 mil pessoas) a encontrar sítios seguros para viver, representando mais de um terço de todos os realojados pelas agências humanitárias. O sismo do Haiti matou 217. 300 pessoas e deixou 2. 1 milhões de desalojados.