Numa noite de lua cheia dos anos 90, morreram 23 catequistas, massacrados à baioneta. O episódio está agora em livro, da autoria de um missionário da Consolata. a obra foi apresentada no Porto
Numa noite de lua cheia dos anos 90, morreram 23 catequistas, massacrados à baioneta. O episódio está agora em livro, da autoria de um missionário da Consolata. a obra foi apresentada no PortoDiamantino antunes, sacerdote missionário da Consolata, e diretor do Centro Catequético do Guiúa, em Moçambique, apresentou quinta-feira, 11 de janeiro, no Porto, o livro Véu de morte numa noite de luar’, que narra a história de 23 catequistas mortos há 20 anos naquela instituição. O massacre aconteceu numa noite de lua cheia, contou. Na madrugada de 22 de março de 1992, guerrilheiros da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), cercaram o Centro Catequético, e as famílias que frequentavam o curso foram sequestradas, interrogadas, e levadas para um local a três quilómetros da instituição. Uns conseguiram escapar aos militares, algumas crianças foram poupadas, mas morreram 23 catequistas, massacrados à baioneta. Já em 1987, um catequista tinha sido morto pela mesma organização militar, que combatia o regime governamental da Frelimo. O Centro Catequético do Guiúa, sucessivamente encerrado e reaberto devido à guerra civil, acolhia os catequistas durante o seu período de formação, mas também as suas famílias. aquelas pessoas estavam lá por razões de fé, disse o sacerdote, sublinhado que os catequistas estavam a fazer a sua formação com vontade, e com o desejo de formar outros. O local onde foram sepultados, no Guiúa, é hoje um espaço de peregrinação. a Igreja moçambicana precisa de modelos, disse Diamantino antunes. Estamos empenhados em que esta causa, este testemunho, seja conhecido, frisou.

Brazão Mazula, ex-presidente da Comissão Nacional de Eleições de Moçambique e antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane (Maputo), também participou na conferência que decorreu no auditório da Universidade Católica. aos presentes, deu um outro olhar de Moçambique, destacando o papel fundamental da Igreja Católica que, através da sua ação, tem contribuído para a formação das pessoas, mas que tem também atuado na área da saúde.

Num período em que os moçambicanos estão a saborear a paz, o antigo reitor da Universidade Eduardo Mondlane, referiu que as igrejas em Moçambique não estão em perigo, e adiantou que há muita juventude nas igrejas, o que é um bom sinal. Contudo, deixou uma lamentação: rezamos pouco, e quando isso acontece os efeitos são enormes. a segunda palestra está agendada para esta sexta-feira, 11 de janeiro, no auditório Vita, em Braga, às 21h00.