Diamantino antunes parte do testemunho dos 24 catequistas assassinados no Guiúa, Moçambique, para interpelar os leigos e convidar a Igreja a descobrir novos caminhos de evangelização
Diamantino antunes parte do testemunho dos 24 catequistas assassinados no Guiúa, Moçambique, para interpelar os leigos e convidar a Igreja a descobrir novos caminhos de evangelização Mais do que um livro documental, que o é certamente, Véu de morte numa noite de luar procura interpelar os leigos a repensarem a forma como vivem a fé cristã, convidar a Igreja europeia a olhar para si mesma e a descobrir, no exemplo de Moçambique, um dos caminhos para a nova evangelização. Partindo do testemunho dos 24 mártires assassinados em 1987 e 1992 no Centro Catequético do Guiúa, na diocese de Inhambane, Diamantino antunes, sacerdote missionário da Consolata, recorre aos depoimentos de quem viveu o acontecimento e aos fragmentos da História para realçar o papel dos catequistas na consolidação e manutenção da Igreja naquele país africano: uma Igreja amplamente ministerial. a eles se deve a sobrevivência das comunidades cristãs nos tempos da revolução e da guerra. assumiram com coragem e dedicação a responsabilidade de as amparar e não deixar cair; asseguraram, tantas vezes, a sobrevivência de comunidades cristãs de recente fundação; foram o amparo de uma Igreja órfã com a saída e expulsão dos missionários, explica o sacerdote no texto de introdução do novo volume da série Martírio e Missão, publicado pela Consolata Editora. Este exemplo de Igreja jovem e ministerial, segundo o autor, apresenta-se como um oásis de esperança, um modelo de vivência cristã que a Europa secularizada desconhece. Na Igreja Católica de Moçambique, os leigos, assumem grande protagonismo. São eles os evangelizadores de primeira linha que fazem chegar às aldeias a fé e que a alimentam através da catequese e da celebração da Palavra. O seu empenho foi sempre e é, também hoje, um forte estímulo para a própria atividade missionária. O bispo do Porto, Manuel Clemente, que assina o prefácio do livro, encara os Mártires do Guiúa como o testemunho de um cristianismo que se deseja, com um sinal da urgência da nova evangelização. Hoje, quando a oferta (por parte do clero ou dos consagrados e consagradas) já não corresponde à procura religiosa e quando as previsões demográficas ainda agravam o quadro futuro (decréscimo de população jovem e do recrutamento sacerdotal e consagrado), a decisão é necessária e urgente, rumo a um cristianismo decidido de fé e missão, de todos para todos, refere o prelado.