a dívida externa dos países pobres é um jugo insuportável. a sua razão de ser é um mistério insondável.
a dívida externa dos países pobres é um jugo insuportável. a sua razão de ser é um mistério insondável. Tem-se falado muito ultimamente do perdão da dívida externa dos países pobres. é um dever cristão e humano.
Quem está no Quénia e observa a miséria que por aqui vai, encontra dificuldade em acreditar que este não é um dos países mais pobres do planeta. Só a cidade de Nairobi tem bem mais de um milhão de pessoas a viverem em bairros da lata, gente que não sabe donde lhe virá a próxima refeição.
O facto é que o Quénia não consta entre os países que vão receber a remissão da dívida externa. Diz-se que temos sido fiéis aos pagamentos e que portanto podemos pagar. é um castigo por bom comportamento. Esquecem-se talvez que essa nossa fidelidade é causa de enormes sacrifí­cios no campo da saúde, da instrução, das infra-estruturas e do desenvolvimento em geral. Este é certamente um modo de premiar quem não paga e castigar o bom pagador.
Os meandros da finança internacional são verdadeiramente insondáveis porque os países ricos são aqueles que ajudaram a criar o estado de miséria dos países pobres através da venda de armas e da criação dum mercado distorcido onde os pobres não podem competir. Parece-me que estamos a repetir a história do bombeiro incendiário. Para já demos graças por haver bombeiro, mas há que controlar o incendiário ou sujeitamo-nos ao aparecimento constante de novos focos de incêndio.
Será que o perdão ou a falta de perdão da dívida de hoje não seja apenas pretexto para criar novas dependências? O tempo o dirá.

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