Mais políticas que defendam a família, coragem para pôr em causa lei do aborto, criação de um clima de maior justiça social, e construção da paz. Estes são os desejos dos bispos portugueses para o novo ano
Mais políticas que defendam a família, coragem para pôr em causa lei do aborto, criação de um clima de maior justiça social, e construção da paz. Estes são os desejos dos bispos portugueses para o novo anoPara 2013 os bispos portugueses pedem a proteção e a defesa da vida, mas não só. Nas suas mensagens de ano novo e homilias, proferidas no Dia Mundial da Paz, os prelados portugueses falaram das questões sociais e económicas que estão a afetar a sociedade.
O cardeal-patriarca de Lisboa, José Policarpo, pediu o desenvolvimento de uma autêntica política de proteção à família. Olhemos corajosamente para o que está a acontecer às famílias: leis permissivas que não valorizam o aprofundamento dos seus valores constitutivos; leis fiscais penalizadoras; a incapacidade de evitar que o drama do desemprego se abata sobre agregados familiares inteiros, disse. a diminuição da natalidade, acrescentou, põe em causa o futuro da comunidade humana.
Evocando a realização do Átrio dos Gentios, que abordou, em Braga e em Guimarães, O valor da vida, Jorge Ortiga, arcebispo de Braga, defendeu, na sua mensagem para o ano novo, que a vida, para crentes e não-crentes, tem valor em qualquer circunstância existencial, mesmo quando ameaçada pela crise.
Na Sé do Porto, Manuel Clemente, referiu que a vida é o primeiro e mais inalienável direito do ser humano. É muito estranho que alguém se lembre de apresentar hoje, como progressos civilizacionais, autênticas regressões de dois mil anos, desprotegendo a vida em todo o seu verdadeiro percurso, pré e pós-natal, referiu o bispo do Porto.
Manuel Felício, bispo da Guarda, afirmou que a sociedade portuguesa tem de ter a coragem para repensar e pôr em causa a lei do aborto. Se nós portugueses queremos ser, de verdade, cidadãos sérios e responsáveis pela sustentabilidade da sociedade que nos está confiada, temos de assumir a coragem de pôr em causa esta lei e procurar caminhos novos de acolhimento às crianças, que são de facto o nosso futuro, afirmou. Manuel Felício dirigiu ainda uma palavra aos decisores políticos para que se empenhem em criar condições para que todos possam trabalhar, mesmo sem a oferta dos empregos tradicionais.
Reconhecendo que o ano de 2012 trouxe privações económicas e sociais para muitos, antónio Marto, bispo da diocese de Leiria-Fátima, que celebrou a eucaristia de fim-de-ano na Basílica da Santíssima Trindade, em Fátima, recordou a situação de emergência que se vive em Portugal e pediu, para 2013, uma cultura política capaz de vencer a sede de poder, a ganância do lucro.
No primeiro dia de 2013, o bispo de Lamego apelou à criação de um clima de maior justiça social, criticando a desumanidade que ataca o direito à vida e à família. Não pode ser esquecido, e tem de ser promovido, um verdadeiro clima de justiça social, para que todos os seres humanos se possam sentir irmãos e sujeito de dignidade na família, no trabalho, na escola, em toda a parte, referiu antónio Couto.
Ilídio Leandro, bispo de Viseu, disse esperar que o novo ano conte com políticas sociais mais eficazes, para ajudar quem sofre as consequências da crise, e apelou à organização justa das funções do Estado em Portugal. Não é justo que vivendo uma crise tão grave, tão prolongada e com tantas consequências no desemprego, uns não tenham meios para viver e outros os possam esbanjar, alertou.
O bispo de Santarém deixou votos de que o novo ano encontre, por parte de responsáveis políticos e da população em geral, uma maior preocupação com a justiça e a fraternidade, ultrapassando a fixação no bem-estar económico. Preparar um futuro melhor, não é apenas pagar as dívidas económicas mas procurar também mais justiça, mais fraternidade e solidariedade, mais paz e alegria, referiu Manuel Pelino, na homilia da missa a que presidiu.
antónio Francisco, bispo de aveiro, convidou crentes e não crentes a participar no Grito pela Paz, ação que decorrerá a 11 de janeiro. a paz é sonho, ideal, projeto, direito, valor e compromisso de crentes e não crentes. Estamos todos unidos neste Grito pela Paz’, feito clamor comum e voz unânime de crianças, jovens e adultos, referiu o prelado em comunicado.
O bispo do Funchal assinalou o início de 2013 com uma missa, convidando as comunidades católicas a construir a paz. Podemos pensar na paz olhando os problemas à distância, mas também devemos olhar a construção da paz a partir da proximidade a partir de nós próprios, disse antónio Carrilho, citado pelo Jornal da Madeira’.
Virgílio antunes, bispo de Coimbra, afirmou existirem responsabilidades individuais no entrave à construção da paz, atribuindo esta realidade a pessoas escravas do poder, de máquinas partidárias, dos lóbis, da opinião comum ou das ideologias. a pobreza e a fome, as agressões à vida humana, as divisões familiares, a violência doméstica, a insegurança, o uso da força e o roubo ou as mais variadas desordens sociais são, para o prelado, os grandes dramas da sociedade atual fruto da ausência de uma cultura de paz.