Deixam a família e atravessam a fronteira para escapar à mobilização forçada no movimento rebelde. Muitos dirigem-se ao centro de acolhimento das Nações Unidas, no Uganda, para pedir proteção
Deixam a família e atravessam a fronteira para escapar à mobilização forçada no movimento rebelde. Muitos dirigem-se ao centro de acolhimento das Nações Unidas, no Uganda, para pedir proteção Os nomes são fictícios por questões de segurança mas a história de vida dos três jovens congoleses revela consequências bem reais de uma guerra que tem vindo a alastrar no leste da República Democrática do Congo (RDC). Marc, Philippe e Georges fugiram para o Ruanda, para escaparem ao recrutamento das forças rebeldes. O alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (aCNUR) recolheu os seus testemunhos para dar a conhecer um drama que afeta milhares de jovens na província do Kivu: o medo de serem obrigados a lutar num conflito interminável. assolada por combates violentos entre as tropas do governo e os rebeldes do Movimento 23 de março (M23), a região do Kivu Norte transformou-se num campo de batalha e numa zona propícia ao surgimento de outros grupos armados, como é o caso da milícia Mai Mai. Para reforçarem as suas fileiras, os insurgentes deslocam-se às povoações e obrigam os jovens a pegar em armas e a participar nos confrontos. a solução, para muitos deles, passa por deixarem as famílias e procurarem proteção do outro lado da fronteira, em locais como o centro de trânsito de Nyakabande, do aCNUR. Marc foi um dos que optou por fugir. O jovem foi informado pelo diretor da escola que um dos grupos rebeldes planeava sequestrar estudantes do sexo masculino e decidiu partir. Estava com medo e fugi. Nem sequer fui a casa, contou aos elementos do aCNUR, acrescentando que fez uma parte do caminho de motorizada e outra a pé (mais de 20 quilómetros), até chegar ao centro de refugiados. Philippe enfrentou a mesma situação. Eles registam todos os jovens. Depois, convocam uma reunião na cidade e forçam os jovens presentes a entrarem no grupo, relatou o adolescente, que partiu para o Uganda logo que soube que um desses encontros foi marcado na sua zona. Georges fugiu ao mesmo tempo. O chefe era meu amigo e disse-me que a reunião era destinada ao recrutamento, que eu tinha sido registado e que era melhor fugir, explicou. O jovem levou uma semana a chegar à fronteira, porque se perdia e escondia constantemente. O meu medo era o recrutamento forçado. Eu andava, dormia no mato e tentava esconder-me. Mendigava e comia cana-de-açúcar, recordou Georges, lamentando que alguns de seus amigos tenham sido levados pelos rebeldes. Nos últimos meses, o centro de Nyakabande tem recebido mais de uma centenas de pessoas por dia. Segundo os responsáveis do aCNUR, quase 10 por cento diz ter fugido com medo do recrutamento forçado.