O número de detidos aumentou seis por cento só nos primeiros meses deste ano e as cadeias brasileiras estão sobrelotadas. Se esta tendência se mantiver, em três anos a população carcerária do Brasil torna-se a terceira maior do mundo
O número de detidos aumentou seis por cento só nos primeiros meses deste ano e as cadeias brasileiras estão sobrelotadas. Se esta tendência se mantiver, em três anos a população carcerária do Brasil torna-se a terceira maior do mundoOs estabelecimentos prisionais do Brasil estão a rebentar pelas costuras e a entrada de novos reclusos não para de aumentar. Entre dezembro do ano passado e julho de 2012, a população prisional cresceu seis por cento, passando de 514 mil para 549 mil. Se a tendência de crescimento for mantida, em três anos o número de detidos nos cárceres brasileiros será o terceiro maior do mundo. Em duas décadas, o sistema prisional sofreu uma autêntica revolução. Quando em 1992 existia uma média de 74 presos por 100 mil habitantes, em julho deste ano esta proporção chegou aos 288 reclusos por cada 100 mil habitantes, revelou esta sexta-feira, 28 de dezembro, a BBC. Neste período, o ritmo de crescimento da população carcerária brasileira só foi superado pelo Camboja. Uma das principais consequências deste aumento é a sobrelotação das prisões. Em julho, havia um déficit de 250 mil vagas nas prisões do país, segundo os dados oficiais. Por mais esforço que o Estado faça, não consegue construir mais vagas no mesmo ritmo da entrada de reclusos, admitiu o diretor do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), augusto Rossini. Segundo este responsável, o crescimento acelerado no número de prisioneiros é consequência não só do aumento da criminalidade, mas também do endurecimento da legislação penal, da melhoria do trabalho da polícia e da maior rapidez da Justiça criminal. Em Portugal, a tendência também tem sido de crescimento, sobretudo nos últimos três anos. a maioria dos estabelecimentos prisionais está sobrelotada. Entre 31 de dezembro de 2009 e 15 de setembro deste ano, registou-se um aumento de 22,1 por cento, passando o número de presos de 11 mil para 13 mil.