aumentam os episódios de violência religiosa e o governo parece alinhar com os violentos. Os direitos das minorias não são respeitados e as autoridades continuam passivas.
aumentam os episódios de violência religiosa e o governo parece alinhar com os violentos. Os direitos das minorias não são respeitados e as autoridades continuam passivas. O governo do Bangladesh tomou o partido de grupos extremistas que fomentam a violência contra a comunidade ahmadiyya. Esta é a denúncia do Observatório dos Direitos Humanos (HRW) num relatório publicado hoje, 16 de Junho: “Divididos pela fé: Persegição da comunidade ahmadiyya no Bangladesh”.
O relatório documenta a campanha de violência, perseguição e intimidação do grupo islâmico sunita Khatme Nabuwat (KN), contra a comunidade ahmadiyya. O KN, e outros grupos extremistas, atacaram mesquitas, bateram e mataram pessoas desta minoria. Também impediram o acesso a escolas e aos meios de subsistência. Exigem uma declaração oficial de que os ahmadis não são muçulmanos e que sejam proibidos os escritos e actividades missionarias desta minoria.
Fundada em 1889 por Mirza Ghulam ahmad,a comunidade ahmadiyya é um grupo religioso que se identifica como muçulmano. Tem no entanto uma diferença com os outros muçulmanos quanto à definição do profeta Mohammad como o profeta monoteí­sta “final”.
Com o governo do Partido Nacional do Bangladesh, a discriminação e violência contra os ahmadis intensificaram-se. O relatório documenta as falhas do governo no julgamento dos responsáveis pela violência contra a minoria. Condena a proibição imposta sobre as publicações da comunidade ahmadiyya.
“é um momento perigoso que se vive no Bangladesh, o governo tornou-se cúmplice na violência religiosa”, disse Brad adams, director executivo da divisão para a Ásia do HRW.
O Supremo Tribunal suspendeu temporariamente a proibição sobre as publicações da comunidade ahmadiyya e o governo argumenta que esta foi instaurada para apaziguar os extremistas, protegendo assim os ahmadis.
O HRW disse haver um alarmante nível de violência contra as minorias no Bangladesh, incluindo hindus e povos indígenas. Concessões a exigências de grupos religiosos extremistas marcam um precedente perigoso, podendo libertar ondas de violência incontroláveis.
Por razões doutrinais, muitos muçulmanos consideram os ahmadis como não muçulmanos. São assim alvos fáceis em tempos de insegurança religiosa e Política. Para os que perseguem objectivos populistas, tais como os partidos islâmicos e conservadores no Bangladesh, este tipo de perseguições, com a pretensão de preservar a fé, constituem um caminho rápido para o poder político.
O HRW pede à comunidade internacional para pressionar o governo de Bangladesh para julgar os responsáveis pelo planeamento e execução de ataques contra as minorias, levantar a proibição sobre as publicações de ahmadiyya e tomar medidas para encorajar a tolerância religiosa no país.

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