O dia mundial das crianças é uma oportunidade para reflectir sobre a sua situação. Também em Moçambique se comemorou este dia.
O dia mundial das crianças é uma oportunidade para reflectir sobre a sua situação. Também em Moçambique se comemorou este dia. No passado dia 1 de junho celebrou-se o dia mundial da criança. Também aqui em Moçambique este dia foi ocasião de festa e de actividades para crianças. as crianças foram dispensadas da escola e houve manifestações desportivas e recreativas um pouco por todo o pais.
Nas paróquias da Liqueleva e da Liberdade o dia de celebração foi o sábado. Reuniu-se uma pequena multidão de pequenada. Estiveram todo o dia a viver a vida da maneira deles. Passaram o dia a brincar, a ouvir música e em correrias. Na hora do almoço cada um tirou o seu farnel e com um pouco de ajuda da paróquia, lá tiveram o seu festim.
Dito desta maneira parece um grande acontecimento, mas na verdade foi um encontrar a felicidade na simplicidade. as crianças por aqui precisam de muito pouco para ser felizes. Uma bola de trapos é ocasião para iniciar um campeonato de futebol muito mais empenhado e vivido (e sobretudo honesto) do que a Champions League. Os brinquedos velhos e partidos, chegados em contentores do mundo rico, são objectos maravilhosos que proporcionam um prazer inimaginável. Qualquer tipo de comida é um banquete suculento digno de reis e certamente não é necessário insistir e castigar para que as crianças comam. Uma capulana (pano que as mulheres enrolam tipo saia) de um euro é o mais bonito vestido de gala para as meninas. a presença de um “velho” que os deixa contar as suas coisas é ocasião de ser “gente”.
Devo ser sincero, não demos muito a estas crianças, nem uma milésima parte daquilo que merecem. Certamente aqui em Maputo há famílias que já estão bem, sobretudo aquelas ligadas à Política ou às organizações não-governamentais, mas a grande maioria luta pela sobrevivência. Pessoalmente, ouvindo as histórias pessoais, não sei como fazem. Devo confessar que muitas vezes sou egoí­sta e agradeço a Deus por ter nascido noutro mundo e numa família que sempre me deu, se não tudo pelo menos o suficiente, talvez até mais do que isso.
Uma vez na Paróquia da Liberdade disseram a uma das irmãs, a irmã Isabel, uma portuguesa das Servas de Nossa Senhora de Fátima, que ela consegue poupar até no “nada”. Eis o grande segredo é necessário fazer de tudo com “nada”. Parece impossível, mas por vezes basta tão pouco. Basta renunciar ao supérfluo, fugir à escravidão da publicidade que está a consumir os recursos do nosso planeta a ritmo acelerado e que impede que todos os homens possam ter o mesmo nível de vida.
Todos sabemos que o planeta não tem recursos suficientes para garantir o nível de vida do ocidente a todos os seres humanos. Por vezes ouvimos dizer que os africanos têm muitos filhos, demais, há até campanhas internacionais com programas para controlar a população, por vezes recorre-se até à esterilização. Mas a verdade é que ao terem muitos filhos há uma possibilidade de que algum chegue à idade adulta, caso contrário, sem reforma, a vida será muito difícil.
Seja como for o dia 1 de Junho é uma oportunidade que estas crianças têm de esquecer o presente miserável e o futuro sem esperança aos quais estão condenados, não por erros pessoais, mas por uma sociedade humana egoí­sta e impiedosa.

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