Um ano de violações dos direitos humanos: guerras, bombas, violações, terrorismo… Fica o desafio aos governos a ser transparentes nas intenções e a cumprir as suas promessas.
Um ano de violações dos direitos humanos: guerras, bombas, violações, terrorismo… Fica o desafio aos governos a ser transparentes nas intenções e a cumprir as suas promessas. “Os governos estão a trair a promessa de um mundo baseado nos direitos humanos, trabalham de acordo com uma nova agenda”, disse a amnistia Internacional (aI) ao apresentar em Londres o relatório anual da situação dos direitos humanos. Irene Khan, secretaria-geral da organização, disse que os governos não mostraram capacidade de liderança com princípios e têm de ser responsabilizados.
Os governos estão a trair as suas promessas em questão de direitos humanos. Está a ser construí­da uma nova agenda, com a linguagem da liberdade e da justiça a ser usada para seguir políticas de medo e insegurança. Novas políticas que incluem tentativas cí­nicas de redefinir a tortura”, disse Irene Khan.
Esta nova agenda, aliada à indiferença e paralisia da comunidade internacional, desiludiu milhares de pessoas que viveram crises humanitárias e conflitos esquecidos durante 2004.
Em Darfur, o governo sudanês gerou uma catástrofe humanitária e a comunidade internacional pouco fez para responder à crise, traindo a esperança de milhares de pessoas. No Haiti, indivíduos responsáveis por sérias violações dos direitos humanos puderam recuperar posições de poder. No Congo não houve resposta efectiva à violação sistemática de milhares de mulheres, crianças e bebés. apesar das eleições, o afeganistão caiu numa espiral de instabilidade e desrespeito da lei. a violência tornou-se endémica no Iraque.
Também nível nacional os governos traí­ram os direitos humanos, sendo os cidadãos ordinários a pagar a factura. Soldados russos são acusados de torturar, violar e abusar sexualmente de mulheres chechenas e permanecem impunes. O governo do Zimbabué manipulou a falta de alimentos por razões políticas… São apenas alguns dos exemplos mencionados no relatório.
Há também sinais de esperança. O julgamento dos guardas prisionais de Guantánamo pelo tribunal supremo dos Estado Unidos é um sinal de que os direitos humanos têm de prevalecer. as massas populares também se movem pelos direitos humanos. Exemplos são a congregação espontânea de milhares de pessoas em Espanha em protesto contra as bombas de Madrid; os levantamentos populares na Geórgia e na Ucrânia e o debate sobre a mudança Política no Oriente Médio.
“Cada vez mais a duplicidade dos governos e a brutalidade dos grupos armados são desafiados. Exemplos são as decisões judiciais, a resistência popular e as iniciativas das Nações Unidas. O desafio ao movimento pelos direitos humanos é dar poder à sociedade civil e empurrar os governos para que cumpram as suas promessas”, concluiu Irene Khan.

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